Levar bebês e crianças para a praia é uma experiência comum nas férias, mas exige cuidados específicos com saúde e segurança. O pediatra e professor da USP de Ribeirão Preto, Ivan Savioli, explicou na coluna ‘Filhos e Cia‘ quais são as principais recomendações para evitar riscos relacionados ao sol, calor, insetos e higiene.
Qual a idade ideal para levar bebê à praia
Segundo o especialista, crianças com menos de seis meses não devem frequentar a praia. Isso porque não existem protetores solares aprovados para essa faixa etária, o que aumenta o risco de danos à pele causados pela exposição solar direta. Nesses casos, se a ida for inevitável, a proteção deve ser feita apenas com barreiras físicas, como roupas, bonés, gorros e sombra.
A partir dos seis meses, o bebê já pode ir à praia, mas com moderação. O pediatra reforça que não existe um tempo totalmente seguro de exposição ao sol, mesmo antes das 10h ou após as 16h, horários em que a radiação ultravioleta é menor.
“Crianças menores de seis meses não deveriam frequentar praias porque não existe um filtro solar, um protetor solar aprovado para crianças dessa idade. Agora, acima dessa idade, a exposição deve ser sempre com parcimônia”, reforça o pediatra Ivan Savioli.
Uso correto de protetor solar em crianças
Entre seis meses e cinco anos, a recomendação é utilizar protetores solares infantis, conhecidos como filtros físicos. Eles contêm menos substâncias químicas e têm como principal componente o óxido de zinco, que forma uma barreira contra os raios solares.
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O fator de proteção solar deve ser, no mínimo, FPS 30. A reaplicação precisa ser feita a cada duas horas, principalmente em ambientes muito quentes ou quando a criança entra na água, já que suor e banho reduzem a eficácia do produto.
Repelente infantil e proteção contra mosquitos
Crianças menores de seis meses não devem usar repelentes, pois também não há produtos aprovados para essa idade. Entre seis meses e dois anos, alguns repelentes podem ser utilizados, desde que contenham princípios ativos como IR3535 ou Icaridina, respeitando as indicações do fabricante.
Na ausência de repelentes, a proteção deve ser feita com métodos de barreira, como roupas de manga comprida, telas, mosquiteiros e, sempre que possível, evitar ambientes com muitos insetos. Uma dica é colocar roupas claras nos pequenos, o que ajuda a visualizar a presença de mosquitos.
Bebê pode brincar na areia da praia
O pediatra destaca que crianças podem brincar na areia, desde que haja supervisão dos pais ou responsáveis. A atividade estimula a criatividade, o convívio social e o contato com o ambiente ao ar livre.
Apesar disso, a areia pode apresentar riscos, como a contaminação por parasitas que causam o chamado bicho geográfico. A doença é tratável e geralmente não grave, mas a prevenção continua sendo a melhor alternativa. Bebês menores de seis meses seguem com a recomendação de não frequentar a praia.
Medicamentos básicos para levar na viagem
O médico orienta que os pais levem um medicamento para febre e, se possível, um antialérgico. Ainda assim, ele reforça que a automedicação não é indicada e que, em caso de febre persistente ou suspeita de alergia, o ideal é procurar um pediatra.
Hidratação infantil em dias de calor intenso
Manter a criança hidratada é fundamental. Para crianças menores de dois anos, uma regra prática é oferecer água a cada 30 minutos. A quantidade pode variar entre 50 e 100 ml, observando se a criança aceita o líquido.
A cor e a quantidade da urina são indicadores importantes. Diminuição do xixi ou coloração mais escura podem sinalizar desidratação. Frutas ricas em água, como melancia, também ajudam na hidratação.
Prevenção de assaduras na praia
O calor, o uso prolongado de fraldas e a dificuldade de troca na praia aumentam o risco de assaduras. A orientação é trocar a fralda sempre que necessário, limpar a região com suavidade e, se possível, utilizar algodão molhado em vez de lenços com fragrância.
O uso de cremes à base de óxido de zinco, aplicados a cada troca de fralda, ajuda a proteger a pele e prevenir irritações.