Congestionamento gerou fila digital e aconteceu, entre outras funções, para a área de justificativa da falta nas eleições
O comentarista de tecnologia Eduardo Suárez destacou a crescente presença da tecnologia no processo eleitoral, Com tantos usuários, aplicativo e-Título apresenta instabilidade no 1º turno das eleições, tanto para eleitores quanto para candidatos. Em entrevista, Suárez abordou aspectos práticos do uso do aplicativo e-Título, os desafios enfrentados no dia da votação e as tendências observadas na campanha eleitoral deste primeiro turno.
Funcionamento e problemas do e-Título: Segundo Suárez, o aplicativo e-Título tem sido uma ferramenta importante para facilitar o acesso dos eleitores às informações eleitorais e ao título digital. No entanto, no dia da votação, o sistema enfrentou instabilidades devido ao alto volume de acessos simultâneos, configurando uma espécie de “fila virtual”. Essa situação já era prevista, e por isso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recomenda que o aplicativo seja baixado e testado antes do domingo de votação, evitando sobrecarga no dia do pleito.
O comentarista orienta que os eleitores façam o login no e-Título em casa, verifiquem se a senha está correta e, se necessário, redefinam-na antecipadamente para não perder tempo no local de votação. Ele ressalta que, caso o eleitor não consiga utilizar o aplicativo ou não tenha biometria cadastrada, é possível votar apresentando um documento oficial com foto.
Uso da inteligência artificial e fake news
Durante a campanha, Suárez observou que o medo inicial em relação ao uso da inteligência artificial (IA), especialmente deepfake, não se confirmou de forma significativa. Ele afirmou que não houve casos relevantes de candidatos utilizando IA para manipulação de imagens ou vídeos de forma a enganar o eleitorado. Algumas imagens geradas por IA circularam, mas eram mais utilizadas para atacar candidatos do que para promovê-los, e muitas vezes tinham aparência caricata, o que pode afastar o eleitor.
Por outro lado, a inteligência artificial foi amplamente empregada na criação de conteúdos falsos, especialmente áudios e vídeos compartilhados via WhatsApp, incluindo shows falsos de cantores e mensagens manipuladas para confundir eleitores, principalmente em cidades menores. Essas ações foram identificadas como tentativas de disseminar fake news, mas, segundo Suárez, não causaram prejuízos significativos ao processo eleitoral, e os responsáveis enfrentaram consequências.
Estratégias digitais e investimento em campanhas: O comentarista destacou que houve um recorde de investimento em tráfego pago nas redes sociais por parte dos candidatos. O uso de impulsionamento de conteúdos foi feito diretamente pelas contas dos candidatos, respeitando a legislação que proíbe financiamento por terceiros não autorizados. Essa estratégia teve como objetivo ampliar o alcance das mensagens eleitorais e dialogar com diferentes segmentos do eleitorado.
Além disso, houve um aumento expressivo no uso de vídeos nas redes sociais em comparação com eleições anteriores. O formato audiovisual se mostrou mais eficaz para engajar os eleitores do que imagens estáticas, os chamados “santinhos” digitais. Também foi observada uma interação mais intensa entre candidatos, militantes e eleitores nas redes, aproximando o contato que antes ocorria principalmente em campanhas presenciais.
Dinâmica da campanha e o papel das redes sociais no dia da eleição
Suárez ressaltou que a campanha deste ano foi a mais curta já registrada, com os últimos dias sendo decisivos para a divulgação das candidaturas. No período final, especialmente entre sexta e sábado, houve um aumento significativo na circulação de conteúdos eleitorais, principalmente pelo WhatsApp, que se consolidou como um canal importante para a comunicação entre candidatos, militantes e eleitores.
No dia da eleição, embora a propaganda eleitoral seja proibida, as redes sociais continuam sendo utilizadas para incentivar o voto e promover o engajamento cívico. Um exemplo citado foi o lançamento de um sticker no Instagram com o tema “vote”, que permite aos usuários sinalizar que exerceram seu direito de voto. Essa ferramenta também pode ser usada para ampliar o alcance das postagens relacionadas à participação eleitoral.
Entenda melhor
O e-Título é um aplicativo oficial do Tribunal Superior Eleitoral que permite ao eleitor acessar o título de eleitor digital, consultar informações sobre o local de votação e outras funcionalidades. Para evitar problemas no dia da eleição, é recomendável que o aplicativo seja baixado e testado com antecedência.
A inteligência artificial, embora tenha potencial para manipular informações, não teve impacto significativo na campanha eleitoral deste ano, mas sua utilização para disseminação de fake news continua sendo um desafio para o processo democrático.
O investimento em mídias digitais e o uso de vídeos nas redes sociais refletem a transformação das campanhas eleitorais, que buscam cada vez mais a interação direta com o eleitor por meio do ambiente digital.



