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Ribeirão Preto enfrenta desafios no combate ao HIV, estando entre as cidades com maior número de casos confirmados no estado e no país. Trinta anos após a primeira confirmação de um caso de HIV na cidade, houve avanços significativos, principalmente no diagnóstico e tratamento. A dificuldade inicial no diagnóstico, presente nos anos 80, foi superada com o desenvolvimento de novas tecnologias. O tratamento, inexistente na década de 80, evoluiu significativamente na década de 90, e hoje conta com equipes multidisciplinares em cinco locais da rede municipal de saúde, além do Hospital das Clínicas para casos mais complexos.
Avanços e desafios no combate ao HIV em Ribeirão Preto
Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, o preconceito ainda persiste como um obstáculo. Uma campanha de conscientização realizada entre 24 de novembro e 1º de dezembro resultou em cerca de 3100 testes, com mais da metade sendo testes rápidos. Dez resultados positivos foram registrados (aproximadamente 0,6%), sendo oito homens e duas mulheres, encaminhados para atendimento especializado. A diminuição da mortalidade por AIDS, embora ainda acima da média estadual, é um indicador positivo, atribuído ao diagnóstico precoce e à adesão ao tratamento.
Perfil das pessoas afetadas e a importância da prevenção
O perfil das pessoas afetadas pelo HIV em Ribeirão Preto é diverso, incluindo homens que mantêm relações com outros homens, mulheres em uniões estáveis, e um crescente número de idosos. A prevenção é crucial em todas as faixas etárias, mas os idosos enfrentam desafios adicionais, como a falta de familiaridade com o uso de preservativos e a presença de outras condições de saúde que podem complicar o tratamento. A conscientização sobre a importância da prevenção em todas as fases da vida é fundamental.
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Novas abordagens e perspectivas
A participação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na campanha de conscientização marca uma mudança significativa na postura da Igreja Católica, que passa a enfatizar o cuidado com a saúde e o bem-estar, além da prevenção. A profilaxia pós-exposição (PEP) está disponível em Ribeirão Preto de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h, no Centro de Referência em Especialidades, e após as 17h, nos finais de semana e feriados, na UPA da 13 de Maio. A transmissão vertical do HIV (mãe para filho) pode ser prevenida com o diagnóstico precoce na gestante e o uso de antirretrovirais. A sífilis, outra infecção sexualmente transmissível, também é abordada, destacando a importância do diagnóstico precoce e do tratamento para evitar complicações. A mudança da nomenclatura de DST para IST (infecção sexualmente transmissível) reflete a realidade de que a infecção pode ocorrer sem sintomas aparentes. Embora casos de cura tenham sido noticiados, a realidade é que o HIV é uma doença crônica controlável, mas sem cura definitiva. A prevenção, o diagnóstico precoce e a adesão ao tratamento são fundamentais para o controle da doença e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. A discussão aberta sobre sexualidade nas famílias e escolas é essencial para reduzir o preconceito e melhorar os índices de infecção.



