Ouça o primeiro bloco do programa deste sábado (17)
Neste sábado, o programa Almanac, da CBN, recebeu convidados para discutir a corrupção em Ribeirão Preto, em meio a um escândalo que pode superar R$ 203 milhões em desvios de dinheiro público. O advogado e conselheiro da Marribo Brasil, Jorge Sánchez, o advogado Roberto Ecke e o coordenador da República da FEA-USP, João Passador, analisaram o cenário.
A Corrupção em Ribeirão Preto: Um Escândalo de Grandes Proporções
O escândalo de corrupção em Ribeirão Preto, com suspeitas de desvio de mais de R$ 203 milhões, foi o ponto central da discussão. Os especialistas concordaram que a dimensão do problema é gigantesca, possivelmente maior que o Petrolão proporcionalmente ao orçamento municipal. A corrupção, segundo Sánchez, corrói a autoestima coletiva, levando a população a acreditar que nada pode ser feito. O caso da Marribo, contudo, demonstra que em municípios onde a corrupção é contida, há sobra de recursos para investimentos em serviços públicos essenciais.
As Raízes Culturais da Corrupção no Brasil
Passador e Ecke destacaram a raiz cultural do problema. A cultura patrimonialista brasileira, herdada de séculos de colonização e império, contribui para a visão de que o governante se apropria do patrimônio público como se fosse seu. Ecke argumentou que a corrupção é vista por muitos como esperteza, e que a admiração por indivíduos que burlam a lei contribui para a perpetuação do problema. Ele acredita que a mudança cultural levará pelo menos 200 anos, requerendo mudanças educacionais profundas para formar cidadãos conscientes do bem público.
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O Caminho para o Combate à Corrupção
Apesar do pessimismo de Ecke, Sánchez e Passador mostraram-se otimistas quanto à possibilidade de mudanças mais rápidas. Sánchez destacou a importância da participação da sociedade no combate à corrupção, enquanto Passador comparou a situação do Brasil com a Dinamarca, onde o cooperativismo é ensinado nas escolas, resultando em uma cultura de coletividade. A necessidade de instituições fortes e a indignação da população são fatores cruciais para combater a corrupção. A operação em Ribeirão Preto, embora preocupante pelos números, serve como um alerta e um catalisador para mudanças. A indiferença da população, no entanto, é um obstáculo a ser superado.



