Ouça a coluna ‘Café com Política’ com Júlio Chiavenato
A blindagem de Moreira Franco
Em meio às articulações políticas para a eleição do presidente do Senado e a confirmação de Rodrigo Maia na Câmara, o então presidente Michel Temer promoveu mudanças estratégicas. Uma delas foi blindar seu aliado mais vulnerável, Moreira Franco, das investigações da Lava Jato. Nomeado secretário executivo do Programa de Parcerias e Investimentos, Moreira Franco obteve foro privilegiado, escapando de uma possível prisão. A decisão gerou controvérsia, considerando que ele havia sido citado 34 vezes na delação premiada da Odebrecht e era denunciado desde a época de Leonel Brizola.
A troca de favores e a nomeação de Antônio Imbassahy
As negociações políticas envolveram também a nomeação de Antônio Imbassahy (PSDB) para o Ministério da Secretaria de Governo. Em troca do apoio tucano à candidatura de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara, Temer indicou Imbassahy, que tinha histórico de oposição ao governo Dilma Rousseff. A nomeação também levantou questionamentos, visto que Imbassahy foi governador da Bahia e é acusado de envolvimento em um esquema de superfaturamento de obras do metrô de Salvador, causando um prejuízo estimado em mais de 600 milhões de reais.
O trabalho de Edson Fachin e o futuro da Lava Jato
Com as decisões políticas tomadas, Edson Fachin, relator da Lava Jato, terá um grande volume de trabalho pela frente. As articulações políticas em torno da blindagem de aliados e a nomeação de figuras polêmicas demonstram a complexidade do cenário político brasileiro e os desafios enfrentados pela operação Lava Jato.
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As manobras políticas em torno da Lava Jato expuseram a fragilidade do sistema e a busca por impunidade de figuras importantes. A nomeação de Moreira Franco e Imbassahy para cargos estratégicos, em troca de apoio político, demonstra a influência do jogo político sobre as investigações e a busca pela manutenção do poder.



