Ouça a coluna ‘CBN Comportamento’, com Daniele Zeoti
O transtorno do comer compulsivo é uma condição de saúde mental caracterizada por episódios frequentes de ingestão excessiva de alimentos em curto período, Comer demais pode ser um transtorno mental, sem controle sobre o impulso de comer. Diferente dos episódios esporádicos de exagero alimentar, comuns a muitas pessoas, esse transtorno configura uma doença que pode trazer sérias consequências físicas e psicológicas.
Definição e características do transtorno: Segundo a especialista Daniela Izeote, o transtorno do comer compulsivo não deve ser confundido com episódios ocasionais de exagero alimentar, como “assaltar a geladeira” em momentos de fome ou situações específicas. O que caracteriza o transtorno são episódios frequentes, chamados de orgias alimentares, nos quais a pessoa consome grandes quantidades de comida em cerca de 20 minutos, muitas vezes sem consciência plena do que está ingerindo.
Esses episódios são geralmente acompanhados por sentimentos intensos de culpa e vergonha, levando o indivíduo a esconder o comportamento, o que dificulta a percepção do problema por familiares e amigos. A compulsão alimentar está associada, em muitos casos, ao excesso de peso, embora nem todas as pessoas obesas apresentem o transtorno. Estudos indicam que cerca de 30% das pessoas com obesidade têm transtorno do comer compulsivo.
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Impactos físicos e emocionais: Além do impacto no peso corporal, o transtorno do comer compulsivo pode acarretar diversas complicações de saúde, como diabetes, hipertensão, aumento do colesterol e doenças cardiovasculares, incluindo risco de infarto. No aspecto emocional, a condição está frequentemente associada a transtornos depressivos, embora ainda não esteja claro se a depressão é causa ou consequência da compulsão alimentar.
Após os episódios de compulsão, os pacientes geralmente experimentam sentimentos de tristeza, baixa autoestima, desânimo e sensação de menos valia. A agressividade e irritabilidade também podem ser manifestadas, especialmente quando o acesso à comida é restringido, o que pode gerar conflitos familiares e dificuldades no ambiente doméstico.
Diagnóstico e tratamento multidisciplinar: O diagnóstico do transtorno do comer compulsivo deve ser realizado por profissionais de saúde mental, considerando a frequência e a intensidade dos episódios, bem como o impacto na vida do paciente. O tratamento requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo psiquiatras, psicólogos, nutricionistas e endocrinologistas, para abordar tanto os aspectos físicos quanto emocionais da doença.
O trabalho conjunto entre a equipe de saúde e a família é fundamental para o sucesso do tratamento, que pode incluir terapia cognitivo-comportamental, acompanhamento nutricional e, em alguns casos, medicação. O suporte familiar ajuda a conter os episódios e a promover um ambiente favorável à recuperação.
Prevalência e perfil dos afetados
Estima-se que cerca de 2% da população mundial seja afetada pelo transtorno do comer compulsivo, com maior incidência entre mulheres na faixa etária dos 20 aos 30 anos. A condição ainda é pouco conhecida e muitas vezes subdiagnosticada, o que reforça a importância da conscientização sobre seus sinais e sintomas para que o tratamento adequado seja buscado.
Entenda melhor
O transtorno do comer compulsivo é uma doença mental que se manifesta por episódios recorrentes de ingestão exagerada de alimentos em curto espaço de tempo, acompanhados por perda de controle e sentimentos de culpa. Diferente do comer ocasional em excesso, o transtorno exige atenção médica especializada para evitar complicações físicas e psicológicas.
O tratamento multidisciplinar, envolvendo psiquiatras, psicólogos, nutricionistas e endocrinologistas, é essencial para o manejo eficaz da doença. A participação da família no processo terapêutico também contribui para melhores resultados e qualidade de vida do paciente.