Com o abandono das obras da avenida, as lojas e imóveis comerciais ficaram com acesso complicado e sem clientes
Obras de implantação do corredor de ônibus no quadrilátero central de Ribeirão Preto mantêm interdições totais em trechos da Barão do Amazonas, no Centro. Segundo o cronograma da prefeitura, alguns pontos podem ser liberados já na próxima semana, mas comerciantes, moradores e usuários do transporte público relatam prejuízos e transtornos desde o início dos trabalhos.
Interdições, prazos e impacto no comércio
Trechos entre a Florêncio de Abreu e a General Osório seguem com quarteirões totalmente interditados. A construtora e a Secretaria Municipal de Obras haviam informado prazo de 20 dias por etapa, mas lojas e empreendedores dizem que parte das intervenções tem se estendido além do previsto. Donos de estabelecimentos temem que o endereço se transforme em um novo caso de obra paralisada, com queda no fluxo de clientes e quedas nas vendas.
“As obras começaram numa quinta-feira e na sexta-feira já não veio ninguém trabalhar. Poderia ter começado na segunda; teríamos ganhado mais quatro dias de venda”, disse um comerciante que prefere não se identificar. Empresários cobram mais planejamento e reclamam de retrabalhos por falhas logísticas, como a falta de manilhas para esgoto que atrasaram a abertura e o fechamento de trechos.
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Usuários e motoristas relatam mudanças de itinerário e horários
Passageiros que dependem exclusivamente do transporte coletivo relatam alterações de horário e itinerário sem aviso suficiente, com ônibus adiantando ou atrasando sua saída dos pontos. Trabalhadores que precisam cumprir horários sentem o impacto direto: alguns precisam recorrer a aplicativos ou pegar embarques posteriores, o que aumenta custos e tempo de deslocamento.
“Antes o ônibus passava às 4h40; desde que as obras começaram passou a passar às 4h20 e acabamos perdendo a linha. Estou chegando em casa muito mais tarde”, relatou uma passageira. Motoristas e cobradores também apontam dificuldades de embarque e desembarque e trechos com serviços simultâneos em sentidos opostos, que deixam o trânsito lento e a operação do sistema mais complexa.
Posicionamento das autoridades
O consórcio Prourbano informou que as alterações e o controle de itinerários são realizados pela RP Mob. A RP Mob, por sua vez, afirmou que o monitoramento por GPS indica que mais de 97% das partidas programadas foram cumpridas; o restante das ocorrências estaria vinculado a motivos operacionais, sobretudo desvios necessários para a execução das obras. Segundo a empresa, alterações de grande impacto são comunicadas pelos canais oficiais da prefeitura.
A Secretaria de Obras disse, em nota, que o corredor central deve ficar pronto até maio e que o ponto de interdição de cada trecho varia de 5 a 20 dias, com os locais divulgados com antecedência no site do município. Ainda assim, moradores e comerciantes pedem maior coordenação entre equipes, prazos mais rigorosos e medidas de apoio enquanto durar a intervenção.
Enquanto a prefeitura mantém o cronograma e aponta prazo para conclusão, usuários e comerciantes aguardam a normalização do tráfego e ações concretas para minimizar perdas e garantir a mobilidade durante as obras.



