Confira a análise de Fernando Nobre sobre a importância de uma dieta balanceada; ouça a coluna ‘CBN Saúde’
Na coluna CPM Saúde, o cardiologista Fernando Nobre ressalta a importância da alimentação na prevenção e no tratamento de doenças crônicas. O tema ganha destaque em iniciativas públicas e financiamentos internacionais que colocam os alimentos como parte integrante das políticas de saúde.
Alimentação como instrumento de saúde pública
Programas que identificam a comida como componente terapêutico, como a iniciativa conhecida por “Comida Remédio”, foram incorporados em estratégias nacionais de 2022 sobre fome, nutrição e saúde. Em paralelo, dois estados dos Estados Unidos lançaram planos para financiar de forma sustentável esse tipo de programa. A Fundação Rockefeller, os National Institutes of Health (NIH) e o Patient-Centered Outcomes Research Institute (PCORI) anunciaram mais de US$ 350 milhões em financiamentos para pesquisas que exploram a interface entre alimentos e medicamentos, sinalizando a relevância do tema para instituições de pesquisa e saúde pública.
Evidências clínicas e aplicação prática
Pesquisas publicadas em revistas científicas e comentários de especialistas indicam que alimentos podem ter efeitos semelhantes aos de determinados medicamentos, especialmente no controle de fatores de risco como diabetes tipo 2, dislipidemias e obesidade. Há quase quatro décadas, organizações comunitárias vêm fornecendo alimentos adaptados a pacientes com condições sensíveis à dieta, como HIV e diabetes, preenchendo lacunas no tratamento e facilitando o atendimento nutricional de quem tem problemas de saúde graves.
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Estudos apontam que, assim como planos de saúde custeiam medicamentos como estatinas para reduzir o risco cardiovascular, deveria haver discussão sobre políticas que incorporem o custo de intervenções alimentares que comprovadamente reduzam riscos. Mesmo quando dietas não substituem por completo os medicamentos, elas podem reduzir a necessidade de doses maiores ou de múltiplas medicações.
Em publicação na revista da Associação Médica Americana datada de 30 de novembro do ano passado, L. C. Moran destacou que a Organização Mundial da Saúde tem apelado aos governos para adotarem políticas baseadas em evidências e com boa relação custo-efetividade para prevenir e controlar as doenças não transmissíveis. Entre as recomendações estão a melhoria da alimentação servida em instituições públicas, a reformulação de produtos para reduzir açúcar e sal e a implementação de sistemas de rotulagem nutricional clara nas embalagens.
Embora a ideia de que “o alimento seja o remédio” remonte a Hipócrates, é necessário equilibrar o otimismo sobre alimentos terapêuticos com a compreensão de que eles fazem parte de um conjunto mais amplo de cuidados de saúde, que inclui acompanhamento médico, terapias medicamentosas quando indicadas e políticas públicas eficazes.
Especialistas defendem, portanto, a integração da alimentação como componente central das estratégias de prevenção e tratamento, aliada a avaliações clínicas e políticas que garantam acesso e sustentabilidade.