Inquérito foi concluído após seis meses e apontou falhas como demora para realização de exames e recusa de atendimento
Após seis meses de apurações, uma comissão formada por vereadores apresentou um relatório detalhando irregularidades na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jaboticabal. A investigação, que ouviu dez pessoas entre funcionários e terceirizados, além de contar com a análise de um perito médico em prontuários e documentos, revelou uma série de falhas que comprometem o atendimento à população.
Demora em Exames e Diagnósticos
Um dos pontos críticos apontados pela comissão é a demora na realização de exames de imagem. Um caso específico, citado pelo presidente da comissão, João Roberto da Silva, envolveu um paciente com traumatismo craniano que aguardou horas para a realização de exames, culminando em um diagnóstico tardio e, infelizmente, no falecimento do paciente após transferência para hospitais em Jaboticabal e Ribeirão Preto. Essa lentidão no diagnóstico e na obtenção de resultados de exames foi identificada como uma falha grave no fluxo de atendimento.
Falta de Triagem e Preenchimento Inadequado de Prontuários
O relatório também destacou a ausência de triagem adequada no encaminhamento dos pacientes e falhas no preenchimento dos prontuários. Segundo o perito médico que analisou os documentos, a falta de registro da triagem nos boletins de atendimento impede uma avaliação precisa das necessidades dos pacientes. Além disso, foram identificados campos nos prontuários que não são preenchidos por enfermeiros e médicos, comprometendo a qualidade da informação e a segurança do paciente. A comissão recomendou supervisão nos boletins de atendimento para mitigar esses problemas.
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Resposta da Secretaria de Saúde e Próximos Passos
A secretária de Saúde de Jaboticabal, Renata Sirate, informou que a administração municipal já estava conduzindo uma avaliação interna da UPA, independentemente da comissão. Ela ressaltou que a unidade recebeu o Ministério da Saúde em setembro para habilitação e está em processo de credenciamento, estando dentro das conformidades exigidas. As considerações da comissão serão apresentadas na próxima sessão da Câmara, e, se aprovadas, serão encaminhadas ao Ministério Público para possível investigação. A UPA de Jaboticabal, administrada pela prefeitura, tem um custo mensal de R$ 800 mil e conta com 50 profissionais, incluindo cinco médicos emergencialistas.
As constatações da comissão de vereadores lançam luz sobre a necessidade de aprimoramento contínuo nos processos internos da UPA, visando garantir um atendimento mais eficiente e seguro à população de Jaboticabal.



