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Comissão da Verdade em Ribeirão ouve irmão da madre Maurina

Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marco Guarizzo
Comissão da Verdade
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A Comissão da Verdade da Ordem dos Advogados do Brasil em Ribeirão Preto se prepara para ouvir Frei Manuel Borges da Silveira, irmão de Madre Maurina, religiosa que foi vítima de tortura durante o regime militar. O depoimento, agendado para hoje à tarde, busca trazer à luz o sofrimento da família e os detalhes da prisão e exílio da religiosa.

O Testemunho do Irmão e o Sofrimento Familiar

O advogado Eduardo Silveira, integrante da Comissão da Verdade, explica a importância do depoimento de Frei Manuel. Madre Maurina, a única religiosa presa durante o regime, foi barbaramente torturada. O depoimento do irmão visa expor o sofrimento da família ao ver uma pessoa inocente envolvida em um processo tão cruel. A prisão de Madre Maurina a levou a ser trocada por um cônsul japonês sequestrado pela guerrilha em 1970, resultando em seu exílio no México.

Os Constrangimentos e a Negação do Estupro

Embora Frei Manuel negue que sua irmã tenha sido estuprada, ele confirma que ela sofreu torturas e constrangimentos de natureza sexual. Em uma carta dramática ao então ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, Madre Maurina relata os abusos sofridos. A Comissão busca resgatar a história completa, incluindo os atos de violência sexual cometidos por um oficial da aeronáutica.

A Prisão e as Acusações Contra Madre Maurina

Madre Maurina, diretora do Larges Santana, foi acusada de envolvimento com grupos terroristas devido a reuniões de debate realizadas por estudantes ligados à igreja católica no local. Alguns desses estudantes também faziam parte de uma organização de esquerda contrária ao regime militar. Em um clima de histeria, a freira foi presa e difamada, mesmo não fazendo parte do grupo de resistência.

O Impacto na Igreja Católica e no Processo Jurídico

As violências sofridas por Madre Maurina foram um ponto de inflexão, levando a Igreja Católica a mudar sua posição em relação ao regime militar e influenciando figuras como Dom Paulo Evaristo Arns a se tornarem símbolos de resistência. O processo judicial de Madre Maurina é considerado uma das maiores barbaridades jurídicas do período, com o advogado José Carlos Dias, que mais tarde se tornou ministro da Justiça, atuando em sua defesa. Apesar de ter sido absolvida, ela já havia sido presa e banida do país.

O resgate dessa memória é fundamental para entender o passado e evitar que tais atrocidades se repitam.

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