Problema no sistema de alerta de gelo e procedimentos de segurança não realizados pelos pilotos foram destacados na reunião
Representantes do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentaram possíveis causas da queda do avião da Voepás, Comissão externa da Câmara dos Deputados, ocorrida em atrássto do ano passado, durante audiência na Câmara dos Deputados em Brasília. O acidente, que resultou na morte de 62 pessoas na cidade de Vinheiro, está em sua segunda fase de investigação, focada na análise dos dados coletados.
O Major Brigadeiro do Ar Marcelo Moreno, chefe do Cenipa, e Rafael Vargas Vilar, chefe da Divisão de Investigação e Prevenção do órgão, explicaram que a investigação é dividida em três etapas: coleta de dados, análise dos fatores humanos e operacionais, e avaliação dos aspectos materiais relacionados ao projeto, fabricação e manutenção da aeronave. Segundo Moreno, o processo é detalhado e pode retroceder até o momento da concepção dos sistemas da aeronave.
Falhas no sistema de proteção contra gelo
O Cenipa confirmou que o modelo ATR, utilizado pela Voepás, é certificado para voar em condições de gelo e opera em mais de 100 países. Contudo, no acidente, houve falha em um dos sistemas de proteção contra gelo da aeronave. Os sistemas de detecção de gelo funcionaram corretamente, mas um equipamento de proteção apresentou possível falha, o que contribuiu para o desastre.
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Procedimentos e treinamento dos pilotos: Foi apontado que procedimentos de segurança não foram realizados adequadamente pela tripulação durante o voo. Embora o treinamento dos pilotos seja considerado adequado para enfrentar condições severas de gelo, a investigação busca entender por que a tripulação não reagiu conforme esperado. O Cenipa enfatizou que o objetivo não é identificar culpados, mas compreender as causas do acidente.
Transparência da Voepás e andamento da investigação: A Voepás colaborou integralmente com a investigação, fornecendo dados e informações, inclusive backups de voo, que não estavam disponíveis nos computadores da aeronave. A empresa iniciou a operação com a aeronave ATR em setembro de 2022, realizando 1.206 voos com manutenção em dia. O relatório final do Cenipa sobre o acidente deve ser divulgado até o final deste ano.
Situação atual da Voepás e regulamentação
Desde o acidente, a Voepás está proibida de operar voos em todo o país, conforme determinação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A companhia perdeu o direito de operar slots nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos. Recentemente, o Tribunal de Justiça autorizou a empresa a alugar esses slots, mas a Anac não confirmou se essa prática é permitida ou se já foi efetivada. As administrações dos aeroportos de Congonhas e Guarulhos não se posicionaram sobre o assunto, assim como a própria Voepás.
Dados de referência
Após o acidente da Voepás, foram registrados 131 acidentes com aviões de todos os portes no Brasil, resultando em 59 vítimas fatais. Todos esses incidentes estão sob investigação do Cenipa.



