Ouça a coluna ‘CBN Sustentabilidade’, com Carlos Alencastre
A gestão sustentável dos recursos hídricos é um tema central no debate público, especialmente em regiões com alta demanda por água. Recentemente, o Comitê da Bacia do Rio Pardo tomou uma decisão importante em relação à perfuração de poços em Ribeirão Preto, visando a preservação do Aquífero Guarani.
Restrição à Abertura de Novos Poços
O Comitê da Bacia do Rio Pardo, em colaboração com o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), implementou uma medida restritiva à perfuração de novos poços profundos, especialmente aqueles que acessam o Aquífero Guarani na região de Ribeirão Preto. Essa decisão visa controlar a exploração excessiva do aquífero e mitigar os impactos ambientais decorrentes.
A Necessidade de Substituição e as Regras Rigorosas
Carlos Alencastre, diretor regional do DAEE e superintendente do Comitê da Bacia do Rio Pardo, esclarece que a medida não impede a manutenção do abastecimento público, mas sim regula a abertura de novos poços. A perfuração de um novo poço, especialmente por órgãos públicos como o DAEE, está condicionada à desativação de um poço antigo, muitas vezes já obsoleto. Além disso, a nova perfuração deve seguir regras rigorosas, como o distanciamento mínimo de 200 metros de corpos d’água e 500 metros de áreas consideradas contaminadas.
Rebaixamento do Aquífero e a Busca por um Consenso
Estudos realizados ao longo de décadas indicam um rebaixamento contínuo do Aquífero Guarani na área urbana de Ribeirão Preto, com uma taxa de aproximadamente um metro por ano. Essa situação alarmante motivou a decisão do comitê, em conjunto com outros órgãos como a EDUS e a Fundação Ligada à USP de São Carlos (SAFAI), de restringir a exploração do aquífero. Após intensas discussões com a Câmara Técnica do Comitê, a prefeitura, o DAEE e a Secretaria de Meio Ambiente, um consenso foi alcançado sobre a necessidade de apenas substituir poços existentes, em vez de abrir novos.
A medida busca garantir a disponibilidade hídrica para as futuras gerações, equilibrando o desenvolvimento urbano com a conservação dos recursos naturais.



