Nicholas Boch comenta sobre a discussão, que não é nova, mas continua gerando polêmicas; ouça a coluna ‘Good Game CBN’!
O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou oficialmente a criação dos Jogos Olímpicos de Esportes Eletrônicos. A decisão, tomada após anos de debates e discordâncias entre membros do COI, principalmente entre correntes alemã e asiática, culminou na aprovação durante a 142ª sessão do comitê.
Jogos Olímpicos de Esportes Eletrônicos: um marco histórico
A inclusão de esportes eletrônicos no movimento olímpico é um marco histórico, aguardado desde 2018. A proposta inicial, apresentada em junho pelo COI, gerou controvérsias, com o presidente do COI se manifestando contra a inclusão em anos anteriores, citando preocupações com a comercialização do evento e a violência presente em alguns jogos eletrônicos, como Counter-Strike. Apesar das divergências, a pressão de comitês olímpicos asiáticos, que já incluíam esportes eletrônicos em competições como os Jogos Asiáticos desde 2018 (inicialmente como demonstração e, posteriormente, como modalidade oficial), foi crucial para a decisão final.
Parceria com a Arábia Saudita e o futuro dos eSports olímpicos
A Arábia Saudita será parceira do COI na realização do evento, previsto para 2025. Essa parceria, anunciada em inglês e ainda sem versão em português, gerou debates, considerando o histórico do país em relação aos direitos humanos e à igualdade de gênero. No entanto, o COI destacou o compromisso saudita com os valores olímpicos, incluindo a promoção da igualdade de gênero e o engajamento da audiência jovem. A escolha dos jogos também é significativa: serão incluídos apenas os chamados “virtual sports”, simulações de esportes reais, organizados por federações internacionais como a FIFA e a FIBA. Essa decisão reflete a tentativa do COI de atrair um público mais jovem, visto que a audiência televisiva dos Jogos Olímpicos tem diminuído.
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O impacto da decisão e o futuro dos eSports
A inclusão dos eSports nos Jogos Olímpicos representa uma mudança significativa para a indústria de games, dominada por países como Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul. O investimento da Arábia Saudita, estimado em 38 bilhões de dólares para se tornar um centro global de games, demonstra a importância estratégica do setor. Essa iniciativa, que pode ser interpretada sob a ótica do “sportswashing”, busca melhorar a imagem internacional da Arábia Saudita, apesar das críticas em relação aos direitos humanos. A alta porcentagem de gamers na população saudita (67%) justifica o investimento, alinhado ao plano de diversificação econômica do país para além da dependência do petróleo. A decisão do COI abre caminho para um futuro promissor para os eSports, mas também levanta questões sobre a influência do investimento estrangeiro e a compatibilidade entre os valores olímpicos e a indústria de games.



