Especialista em agronegócio José Carlos de Lima Júnior analisa o anúncio feito por Michel Temer em Ribeirão Preto
O presidente Michel Temer anunciou a liberação de R$ 12 bilhões para o pré-custeio da safra agrícola 2017-2018. O valor, ofertado pelo Banco do Brasil, provém de captações próprias da poupança rural e de depósitos. A antecipação dos financiamentos beneficiará os cultivos de soja, milho, arroz e café.
Objetivo do investimento
A medida visa proporcionar melhores condições aos produtores rurais para o planejamento de suas compras de insumos, contribuindo para o incremento das vendas de sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas. Segundo José Carlos de Lima Júnior, especialista em agronegócios, esse aporte financeiro é bem-vindo, especialmente em um momento de retomada econômica.
Cenário do crédito agrícola
Lima Júnior destaca que, apesar do plano de agricultura e pecuária de 2016-2017, que destinou R$ 185 bilhões em crédito, o setor público tem perdido espaço devido à crise econômica. O crédito ficou mais escasso e os juros, mais altos, levando os produtores a buscarem alternativas no setor privado, como cooperativas e indústrias químicas.
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Embora o setor agrícola apresente bons indicadores econômicos, alguns produtores reclamam da falta de investimento e dificuldades de financiamento. Lima Júnior pondera que essa insatisfação é comum em diversos setores, e que a globalização dos mercados e a responsabilidade fiscal exigem uma gestão profissional dos recursos.
Importância do pré-custeio
O pré-custeio é fundamental para o sucesso da produção agrícola, pois abrange a preparação do solo, corretivos, controle de pragas e doenças, etapa crucial e muitas vezes a mais cara do processo produtivo. O anúncio do investimento, realizado em Ribeirão Preto, destaca a importância da região como capital do agronegócio e reforça o protagonismo do setor no Brasil. Apesar do direcionamento para culturas específicas (soja, milho, arroz e café), outros setores também são contemplados por outros programas.
Para o especialista, o ano de 2017 apresenta um horizonte mais otimista para o agronegócio brasileiro, embora a eficiência na gestão dos recursos e a preocupação com a educação e formação cultural sejam fatores cruciais para o aproveitamento pleno do potencial do país.



