Quem dá dicas sobre como passar por esse momento delicado é a psicóloga Danielle Zeoti na coluna ‘CBN Comportamento’
A morte é um tema delicado, mas inevitável. Conversar sobre ela com as crianças é crucial para seu desenvolvimento emocional saudável. A forma como abordamos esse assunto impacta diretamente na forma como elas compreendem a vida e a perda.
A compreensão infantil da morte: uma perspectiva etária
A compreensão da morte pelas crianças varia de acordo com a idade. Entre dois e três anos, elas entendem a morte como uma ausência, como se a pessoa tivesse apenas se afastado. Dos quatro aos cinco anos, começam a entender a morte, mas sem a noção de irreversibilidade, como nos desenhos animados, onde personagens ressuscitam. Por volta dos sete ou oito anos, a criança começa a perceber a irreversibilidade da morte e o sofrimento daqueles que ficam. A partir dos nove ou dez anos, o conceito de irreversibilidade está consolidado.
Como falar sobre a morte com crianças: dicas importantes
Ao abordar o tema da morte com crianças, é fundamental usar linguagem simples e objetiva, adequada à sua compreensão. Deixe claro que a pessoa não voltará, sem entrar em detalhes desnecessários, a menos que a criança pergunte. Evite metáforas abstratas como “virou estrelinha”, pois podem gerar confusão. É importante mostrar seus sentimentos, chorar se necessário, pois esconder as emoções pode fazer com que a criança sinta que precisa reprimir sua própria tristeza. Nunca culpe a criança pela morte, pois seu egocentrismo pode fazê-la se sentir responsável pelo ocorrido. Explique que a saudade é um sentimento normal e que a pessoa amada permanecerá em suas memórias e no coração.
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Velórios e o luto infantil: um olhar cuidadoso
A participação em velórios deve ser uma decisão da criança, respeitando sua idade e maturidade. Crianças muito pequenas podem não entender o significado do evento e não devem ser obrigadas a participar. A partir dos três ou quatro anos, a criança pode escolher se quer ir ou não. Se for, o ideal é que seja em horários mais tranquilos, evitando momentos de maior carga emocional. Velórios são rituais importantes para a assimilação da perda, mas devem ser vivenciados de forma respeitosa à sensibilidade infantil. Criar um espaço para que a criança vivencie o luto é fundamental, permitindo que ela expresse seus sentimentos e receba o apoio necessário.
Falar sobre a morte, embora difícil, é um ato de amor e responsabilidade. Ao abordar o tema com naturalidade e respeito, ajudamos as crianças a lidar com a perda e a desenvolverem uma compreensão mais madura da vida e da finitude.