Ouça a coluna ‘CBN Educação Para Vida’, com João Roberto de Araújo
Em um cenário de educação para a vida, diversas reflexões sobre nossa realidade social e política têm sido debatidas, ressaltando a importância de uma reforma do pensamento para encarar os desafios individuais, sociais e políticos que o futuro nos reserva. Diante da crise social, política e econômica que o Brasil enfrenta, surge a questão: como chegamos a esta situação e como podemos superá-la?
A Complexidade do Pensamento
O pensador Edgar Morin nos lembra que a simplicidade pode ser a ruína do pensamento, enquanto a complexidade representa a civilização das ideias. Nossas lideranças, muitas vezes, pensam de forma limitada e fragmentada, resultado de um sistema educacional inadequado que separa o conhecimento em disciplinas isoladas. Esse conhecimento fragmentado desmotiva, reduz o sentido e enfraquece a capacidade humana de contextualizar. A economia, baseada em cálculos e medidas objetivas, isola a vida e as emoções, mostrando que essa abordagem simplista não é suficiente para resolver os problemas humanos. Precisamos de uma definição mais abrangente do ser humano, que vá além da visão puramente econômica.
A Ambivalência das Ideias
As ideias são ambivalentes. Por um lado, alimentam nosso espírito e nos ajudam a compreender o mundo. Por outro, podem nos dominar e escravizar. As grandes ideias exercem um poder enorme sobre nós, a ponto de morrermos por elas, para depois percebermos que estávamos enganados. Muitas certezas do passado hoje se mostram tolices. Frequentemente, mentimos para nós mesmos, suavizamos lembranças ruins e aceitamos como verdade aquilo que não é. Somos possuídos por ideias que nos levam a caminhos perigosos.
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Superando a Crise Através da Reflexão
O desafio é controlar as ideias que nos chegam constantemente, seja pela linguagem, crenças, professores, gurus, mídia ou cultura de massa. Precisamos criticar mais e com mais consciência, confrontando ideias com outras ideias e desenvolvendo posturas reflexivas. É fundamental reconhecer a ambivalência dos fenômenos e entender que, para cada ideia, existe uma contraposição. As ideias simplistas são perigosas e podem ser mortais.
Para superar a crise, é essencial evitar as certezas do maniqueísmo, o fanatismo ideológico e o pensamento ultrarista. Muitas dificuldades poderiam ser minimizadas se mantivéssemos uma incerteza saudável para corrigir o rumo político do Brasil. Não devemos depositar todas as esperanças em salvadores da pátria de nenhum partido ou grupo. É preciso ter cuidado para não trocar uma loucura por outra, mantendo a crítica a todos, inclusive a nós mesmos. A barbárie do pensamento simplista tem gerado lideranças sem a qualidade necessária para a gestão política do país.
Este é um tema para todos, não apenas para a elite intelectual. Mesmo as pessoas com menor escolaridade podem compreender esses conceitos se houver coragem, disposição, força e tolerância para um novo modelo de civilização das ideias. O desafio pedagógico e de comunicação de massa é alcançar todos, desde trabalhadores e operários até pessoas de todas as idades, especialmente nas escolas, desde o ensino fundamental até a universidade.
Ao adotarmos uma postura mais crítica e reflexiva, podemos construir um futuro mais promissor.



