Propagandas, comícios, redes sociais, todos os meios utilizados pelos candidatos tem um impacto nas pessoas e suas escolhas
Faltando pouco mais de 30 dias para as eleições de 6 de outubro, Como as campanhas políticas influenciam na escolha do eleitor?, o processo eleitoral se destaca como tema central nas discussões sobre comportamento do eleitor. Durante esse período, os eleitores têm a oportunidade de analisar as propostas apresentadas pelos candidatos, seja por meio dos debates, das redes sociais ou do material impresso distribuído nas campanhas.
Segundo Dani Zeot, especialista em comportamento, Como as campanhas políticas influenciam na escolha do eleitor?, as campanhas eleitorais utilizam diversas técnicas e estratégias para influenciar as crenças, atitudes e comportamentos dos eleitores. Essas estratégias frequentemente se baseiam em princípios da psicologia, buscando atingir o eleitor em um nível emocional. Quanto maior o apelo emocional despertado, menor tende a ser a capacidade racional do eleitor para avaliar as propostas e os candidatos de forma fria e analítica.
Influência emocional nas campanhas eleitorais
Dani explica que as campanhas políticas costumam explorar principalmente dois tipos de apelo emocional: o medo e a esperança. A teoria do medo é utilizada por campanhas que apresentam mensagens que geram insegurança, como crises econômicas, ameaças externas ou problemas na segurança pública e na saúde. Esse tipo de mensagem pode levar o eleitor a buscar proteção e apoio em candidatos que se apresentam como fortes e protetores, embora o medo não seja um bom conselheiro para decisões políticas.
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Por outro lado, a teoria da esperança apela para o otimismo e a visão positiva do futuro, incentivando o eleitor a apoiar candidatos que oferecem uma perspectiva inspiradora. No entanto, Dani alerta que esse também é um apelo emocional, e o eleitor deve estar atento para não se deixar levar apenas por discursos motivacionais sem análise crítica.
Atalhos cognitivos e a escolha do voto: Outro aspecto destacado é o uso dos chamados atalhos cognitivos por parte de eleitores que não se envolvem profundamente com a política. Muitas pessoas, por falta de tempo, paciência ou interesse, acabam escolhendo candidatos com base em critérios simplificados, como a filiação partidária, a popularidade, a aparência física ou até mesmo a repetição constante de mensagens na mídia. Essa escolha pode não refletir uma avaliação consciente das propostas e valores dos candidatos.
Dani ressalta que a popularidade e a exposição frequente de um candidato na mídia podem criar uma impressão equivocada, influenciando o eleitor de forma automática. Além disso, a polarização política e a criação de inimigos comuns, como ocorreu em episódios históricos graves, podem levar a divisões sociais profundas e manipulação das massas.
Riscos da polarização e das fake news
A especialista alerta para os perigos da polarização política, que divide a sociedade em grupos opostos e pode gerar hostilidade entre os cidadãos. Ela cita o exemplo do Holocausto, quando Adolf Hitler utilizou a criação de um inimigo comum para manipular a população e justificar atrocidades. Dani recomenda que os eleitores fiquem atentos a discursos que demonizam grupos ou indivíduos e que promovam a divisão social.
Outro desafio destacado são as fake news, que circulam amplamente nas redes sociais e podem distorcer informações importantes sobre os candidatos e suas propostas. A recomendação é que os eleitores busquem informações em múltiplas fontes confiáveis, questionem os fatos apresentados e evitem se deixar levar por notícias falsas.
Saúde mental e exercício da cidadania: Dani relaciona o exercício da cidadania ao cuidado com a saúde mental. Ela afirma que a verdadeira saúde mental está ligada ao conhecimento e à participação consciente nos direitos e deveres sociais. Em um contexto de crise crescente em saúde mental, com aumento de transtornos e suicídios, exercer a cidadania de forma informada e responsável é fundamental para o bem-estar individual e coletivo.
Ela destaca que o voto é uma ferramenta poderosa para promover mudanças e que a decisão do eleitor deve ser tomada com equilíbrio entre razão e emoção. Reconhecer as próprias crenças e emoções, evitar decisões baseadas apenas no medo ou em simpatias superficiais, e buscar informações diversificadas são passos essenciais para uma escolha consciente.
Informações adicionais
Para ajudar os eleitores a se prepararem emocionalmente para a decisão do voto, Dani sugere:
- Reconhecer as próprias emoções e crenças pessoais;
- Buscar informações em diferentes fontes e grupos de mídia;
- Questionar sempre os fatos e analisar a viabilidade das propostas;
- Controlar a ansiedade e o pessimismo;
- Entender que o voto é uma responsabilidade individual que pode influenciar o futuro coletivo.
Ela reforça que, apesar das dificuldades e das influências emocionais, o eleitor deve procurar tomar uma decisão racional, equilibrando o coração e a razão, para contribuir com um futuro melhor para si, sua família e a sociedade.
Por fim, Dani destaca a importância de cobrar o cumprimento das propostas feitas pelos candidatos eleitos, fortalecendo a democracia e a participação cidadã.