Danielle Zeoti o caso do humorista Léo Lins para explicar quis os efeitos desse tipo de humor; ouça o ‘CBN Comportamento’
O humorista Leo Linz foi condenado a oito anos e três meses de prisão por propagação de piadas que, Como as piadas de mau gosto, segundo a justiça, fomentam a violência verbal e a intolerância. Ele recorre em liberdade e continua sua agenda de shows pelo país.
Aspectos psicológicos do humor e comportamento
Segundo a psicóloga Daniela Ezeote, o humor, incluindo piadas de teor agressivo ou discriminatório, pode influenciar o comportamento humano e o pensamento. Ela explica que os seres humanos nascem com temperamento e carga genética, o que significa que não são completamente moldados pelo ambiente. Portanto, o ambiente por si só não determina comportamentos como agressividade ou intolerância.
Estudos sobre o impacto de piadas discriminatórias: Pesquisas realizadas entre 2000 e 2012 indicam que a exposição repetida a piadas misóginas, racistas ou que normalizam a discriminação pode aumentar a tolerância das pessoas a esses comportamentos. Em experimentos, indivíduos que ouviram piadas desse tipo mostraram maior aceitação à discriminação contra mulheres em situações simuladas. No entanto, a psicóloga ressalta que o meio não é o único fator determinante do comportamento.
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O papel do humor na saúde mental: Daniela destaca a vertente psicanalítica, citando Freud, que considerava o humor um mecanismo defensivo do ego. O humor pode ajudar as pessoas a elaborarem conflitos internos e impulsos agressivos de forma saudável, evitando ações violentas. Ela defende que o humor não deve ser demonizado, pois é fundamental para a saúde mental e o entretenimento genuíno é cada vez mais necessário na sociedade brasileira.
Aspectos neurológicos e sociais: Do ponto de vista neuropsicológico, a exposição a conteúdos humorísticos pode ativar áreas do cérebro que influenciam a percepção e a tolerância a determinados temas. Contudo, a frequência com que as pessoas são expostas a esse tipo de conteúdo é geralmente baixa. A psicóloga também enfatiza a importância do riso genuíno como expressão emocional que contribui para o bem-estar.
Entenda melhor
O debate sobre o impacto do humor ofensivo envolve múltiplas áreas da psicologia, incluindo social, psicanalítica e neuropsicológica. Enquanto alguns estudos apontam riscos de normalização de comportamentos discriminatórios, o humor também é reconhecido como um recurso importante para a saúde mental e a elaboração de conflitos internos.