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Como compreender a mentira nas relações diárias?

Ouça a coluna 'CBN Educação para a Vida', com João Roberto de Araújo
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A mentira permeia diversos aspectos da vida, desde os negócios e a política até as relações pessoais. Tanto crianças quanto adultos recorrem a ela, sendo comum que os pequenos, em particular, inventem situações que não correspondem à realidade.

A Natureza da Mentira nas Relações Humanas

Afinal, como entender a presença da mentira em nossas interações? Seria algo natural? O professor João Roberto de Araújo nos ajuda a refletir sobre essa questão complexa. Ele destaca que a mentira é um tema recorrente na literatura, nos dramas e nas novelas, presente na história da humanidade. Culturalmente, a motivação para mentir parece, muitas vezes, superar o desejo de dizer a verdade.

A verdade, segundo o professor, é frequentemente vista como algo que pode gerar conflitos e disputas, exigindo mais energia para lidar com as dificuldades que ela impõe. A mentira, por outro lado, surge como uma forma de protelar o confronto, oferecendo um conforto ilusório. Historicamente, figuras como Platão já abordaram a mentira, defendendo até mesmo a existência de uma “mentira nobre” em certas situações.

As Motivações por Trás da Mentira

As razões para mentir são variadas. Em alguns casos, a mentira surge com a intenção de proteger o outro, aliviando-o de uma verdade dolorosa. Em outros, a mentira é utilizada de forma perversa, motivada por interesses egoístas. No entanto, o professor Araújo enfatiza que a mentira não contribui para o desenvolvimento pessoal. Ao ocultar a realidade, ela impede a compreensão dos fatos e leva a um processo de estagnação.

É importante ressaltar que a mentira não é apenas um problema do emissor, mas também do receptor. Algumas pessoas podem não estar preparadas para lidar com a verdade, sendo mais vulneráveis aos fatos como eles realmente são. Nesses casos, surge a chamada “mentira de amor”, que busca proteger o outro do sofrimento. O professor compartilha uma experiência pessoal com Chico Xavier, que o ensinou que, às vezes, a verdade deve ser adiada, não como uma defesa da mentira, mas como um cuidado com o poder destrutivo da verdade para aqueles que não estão prontos para recebê-la.

O Papel da Educação e dos Pais

Diante desse cenário, o professor Araújo defende que não devemos desistir da verdade, mas sim lutar por ela, construindo as condições para que ela seja dita. A “mentira de amor”, se necessária, deve ser passageira, servindo como uma ponte para a verdade que promove o desenvolvimento. No caso das crianças, a mentira muitas vezes surge como uma forma de evitar punições. Os pais, portanto, têm um papel fundamental na construção da honestidade nos filhos.

É crucial que os pais evitem mentir para as crianças ou perto delas, pois as mentiras dos adultos têm consequências mais graves. Ao mesmo tempo, é importante colocar limites nas crianças, mantendo a autoridade, mas adotando um estilo parental educador e emocional. O diálogo, a segurança e a autoestima são elementos essenciais para que as crianças se tornem adultos saudáveis, que não recorram à mentira como solução para seus problemas.

Ao refletirmos sobre a complexidade da mentira e suas implicações, percebemos a importância de cultivar a honestidade em nossas relações e de educar as futuras gerações para que valorizem a verdade como um pilar fundamental para o desenvolvimento individual e social.

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