Um bate-papo com Felipe Bonholi, analista de desempenho do sub-15 do Palmeiras e instrutor da CBF Academy
Neste sábado, o programa Nas Quatro Linhas da CBN Ribeirão Preto discutiu a área de análise de desempenho no futebol, focando tanto na função em si quanto no processo de formação para se tornar um analista.
Formação de um Analista de Desempenho
O convidado, Felipe Bonioli (analista de desempenho da base do Palmeiras e instrutor da CBF Academy), explicou que a formação abrange os fundamentos da análise, com nuances entre categorias de base e profissional. A base exige um olhar individualizado no desenvolvimento do atleta, considerando aspectos técnicos, físicos, psicológicos e táticos. Já o nível profissional demanda uma perspectiva mais estratégica, analisando comportamentos coletivos e fases do jogo. Os cursos refletem essa diferença, com variações entre as licenças da CBF Academy (C, B, A e Pro), cada uma com um foco específico.
Competências e Habilidades Necessárias
Bonioli destacou a importância da organização, planejamento e capacidade de transformar dados em informações relevantes para a comissão técnica e a diretoria. O profissional precisa entender o ambiente e comunicar suas análises de forma clara e útil, além de dominar ferramentas tecnológicas (softwares, big data, Python, etc.) para coletar, interpretar e gerenciar dados. A capacidade de analisar dados estatísticos e a habilidade de unir dados quantitativos e qualitativos são essenciais.
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Análise de Jogo e Desenvolvimento Profissional
A análise de uma partida envolve a identificação de padrões e comportamentos repetidos em cada fase do jogo (ofensiva, defensiva, transições e bola parada). O analista precisa observar a estratégia da equipe, identificando, por exemplo, como ela organiza o ataque, utiliza o goleiro e executa os tiros de meta. Para desenvolver um bom repertório, Bonioli recomenda assistir a diversos jogos de diferentes ligas e níveis, treinando o olhar para identificar padrões e comportamentos, tanto coletivos quanto individuais. Ele também enfatizou a importância de entender os aspectos subjetivos do jogo, como as emoções e a tomada de decisão dos atletas, buscando auxiliar no desenvolvimento individual e na integração com outros departamentos do clube (como a psicologia).
O maior desafio da profissão, segundo Bonioli, é a corrida contra o tempo devido à alta demanda de jogos e à escassez de profissionais em muitos clubes. A organização do processo de trabalho e a adaptação a mudanças na comissão técnica são cruciais para superar esse desafio. Por fim, Bonioli ressaltou que o analista de desempenho deve enxergar além da bola, compreendendo as nuances táticas e os aspectos implícitos do jogo.