Buscas foram interrompidas até que novas evidências apareçam; advogada criminalista explica o andamento das investigações
O Corpo de Bombeiros encerrou nesta quarta-feira (não foram divulgados o dia exato) as buscas pelo corpo do empresário Nelson Carrera Filho, Como fica o inquérito caso o, desaparecido desde 16 de maio em Miguelópolis, São Paulo. A operação foi reiniciada na última quinta-feira e, conforme a diretriz da corporação, as buscas são realizadas por um período de sete dias, podendo ser retomadas caso surjam novas evidências, o que não ocorreu até o momento.
As equipes utilizaram um detector de metais submerso para explorar áreas de maior profundidade e com visibilidade comprometida pela presença de aguapés e lama, Como fica o inquérito caso o, mas o equipamento não foi suficiente para localizar o corpo.
Investigação e confissões: A advogada criminalista Jéssica Nozé explicou que, apesar da ausência do corpo, a investigação conta com outros elementos de prova que indicam a materialidade do crime, já que a morte de Nelson não é contestada pelos investigados. O empresário desapareceu após viajar de São Paulo para Cravinhos para uma reunião de negócios.
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As autoridades suspeitam que Nelson foi morto a tiros na fábrica de suplementos de Marlon Couto Paula Júnior, motivado por desavenças relacionadas ao uso de uma marca de emagrecedor. Duas pessoas foram presas temporariamente: São Tadeu Almeida Silva, gerente da fábrica, que teria ajudado a enrolar o corpo em lonas antes de descartá-lo no Rio Grande e levado o carro da vítima a São Paulo; e Marcela Silva de Almeida, esposa de Marlon, que acompanhou o marido a São Paulo no dia seguinte ao desaparecimento para prestar apoio à família de Nelson. Felipe Miranda foi preso em Uberlândia, Minas Gerais, e confessou que Marlon pediu que ele jogasse o corpo no rio, tendo ajudado nas buscas apontando o local.
Marlon Couto Paula Júnior permanece foragido. Seu advogado afirmou que ele ainda não se entregou devido a ameaças, incluindo uma tentativa de invasão à sua residência. Marlon enviou uma carta de confissão à polícia civil admitindo ter dado um tiro em Nelson e solicitando que o corpo fosse descartado no Rio Grande.
Desafios no processo judicial: Segundo Jéssica Nozé, a ausência do corpo pode dificultar o julgamento dos suspeitos, pois o elemento material do crime é fundamental. Ela destacou que a investigação precisa aprofundar a dinâmica dos fatos, incluindo o local e a forma do crime, a arma utilizada e possíveis ações de ocultação ou vilipêndio de cadáver.
Até o momento, apenas Marcela Silva de Almeida nega participação no crime, enquanto os demais investigados confessaram envolvimento. A advogada ressaltou que os depoimentos apresentam contradições e que os suspeitos podem tentar modificar suas versões para se defender.
Família acompanha buscas e apela por informações
Nesta quarta-feira, a família de Nelson acompanhou as buscas pela primeira vez. Melissa Carrera, irmã do empresário, manifestou desânimo e tristeza com o fim das operações. Ela relatou que o período de quase um mês tem sido de muita angústia e falta de informações por parte das autoridades.
“Essa angústia, essa aflição, essa espera que está torturando, que machuca, mata a gente aos poucos. Cada dia mais a gente se sente assim, sem uma resposta, sem… A gente tenta ter fé em Deus, a gente tenta buscar de todas as formas, mas cada dia a esperança vai se apagando.”
Informações adicionais
Marlon Couto Paula Júnior está incluído nos sistemas de busca da justiça e pode ser preso a qualquer momento, inclusive em blitz ou ao tentar acessar serviços públicos. A população pode colaborar com denúncias anônimas pelo disque-denúncia da polícia civil no número 181 ou pelo telefone da polícia militar.



