Não são apenas as pessoas que sofrem em situações de calamidade, os animais também são vítimas e precisam de assistência
As chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul deixaram um rastro de destruição que atinge não apenas famílias, mas também seus animais de estimação. Em entrevista ao programa Pet News, o médico-veterinário Dr. Genaro destacou a dimensão humana e sanitária da tragédia e apontou medidas práticas para reduzir perdas e riscos à saúde dos pets.
Impacto sobre famílias e animais
Segundo o profissional, o número de mortos e desalojados — além das famílias desestruturadas — aumentou a preocupação com animais perdidos, arrastados pelas enchentes ou mortos. “Muitas pessoas estão fora de casa; seus animais também foram arrastados ou se perderam. A prioridade é ajudar as pessoas, mas não podemos esquecer dos pets”, afirmou Dr. Genaro, ressaltando a necessidade de doações e apoio direcionado tanto a tutores quanto aos animais.
Identificação permanente e tecnologias de localização
Dr. Genaro enfatizou que a identificação permanente dos animais é uma das medidas mais eficazes para recuperá-los em desastres. Soluções simples, como medalhinhas com nome e telefone do tutor, devem permanecer na coleira em todos os momentos. Para maior segurança, ele recomenda a microchipagem, que permite identificar e localizar o animal mesmo em situação de grande deslocamento.
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Dispositivos eletrônicos de rastreamento também existem e podem ajudar quando o animal foge do domicílio, mas ainda não são amplamente adotados. “Há coleiras com rastreadores e localizadores; porém, na prática, a maior parte das pessoas não usa ou não tem condições de instalar esses recursos”, explicou o veterinário. A orientação é que, ao menos, a identificação visível esteja presente de forma contínua.
Riscos sanitários e a vacina contra leptospirose
Além dos perigos imediatos das enchentes, o veterinário alertou para riscos sanitários, especialmente a leptospirose, que pode ser transmitida por água contaminada e por roedores deslocados. “O rato, ao sair de suas tocas, pode urinar em locais onde o cão dorme ou na ração, aumentando a exposição”, disse Dr. Genaro.
Por isso, ele recomenda que os tutores atualizem a vacinação dos cães, preferencialmente com vacinas que contenham proteção contra leptospirose, como as conhecidas versões V8 e V10. A prevenção, segundo o especialista, é fundamental para reduzir casos após enchentes e contato com água suja.
Quanto ao comportamento dos animais durante inundações, Dr. Genaro observou que muitos procuram abrigo e tentam se salvar por instinto, mas podem sucumbir ao cansaço ou ficar presos em locais sem saída. “Alguns conseguem se abrigar; outros não. Raças que gostam de água podem ter vantagem, mas o fator decisivo é a condição do local e o cansaço”, explicou.
As recomendações do entrevistado concentram-se em prevenção: identificação permanente, microchipagem quando possível, uso de tecnologias de rastreamento e manutenção das vacinas em dia, com atenção especial à leptospirose.
O movimento de solidariedade às vítimas segue sendo essencial, e iniciativas que incluam cuidados com os animais — desde doações de ração até apoio veterinário e resgate — são igualmente necessárias neste momento de recuperação.