Pesquisadora da USP, Natália Pagan, fez um estudo para entender o comportamento cerebral quando é ‘enganado’
Uma pesquisa recente revelou como o cérebro reage à informação de marca ao degustar a mesma cerveja. O estudo, conduzido pela pesquisadora Natália Pagã, investigou o processamento cognitivo, a valência emocional e as preferências relacionadas à experiência com cervejas de marcas fortes e fracas.
Metodologia da Pesquisa
Foram recrutados 40 participantes, divididos em dois grupos: um experimental e um de controle. O grupo experimental (20 pessoas) degustou a mesma cerveja duas vezes, recebendo informações diferentes sobre a marca em cada ocasião: uma marca forte (conhecida) e uma marca fraca (desconhecida). O grupo de controle (20 pessoas) também degustou a cerveja, mas sem receber informações sobre a marca. A atividade cerebral foi monitorada por meio de eletroencefalografia (EEG).
Resultados e Análise
A análise das ondas cerebrais (delta, beta e alfa) mostrou que a marca fraca gerou maior processamento cognitivo, enquanto a marca forte não desencadeou o mesmo efeito, sugerindo que os participantes prestaram mais atenção à informação da marca forte. No entanto, não houve diferença significativa nas preferências cerebrais entre as marcas. Curiosamente, apesar da ausência de preferência cerebral, nas declarações, os participantes relataram preferir a marca forte, tanto homens quanto mulheres, e independente do nível de envolvimento com o produto.
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A Força da Marca e a Percepção
A pesquisa sugere que a força da marca influencia significativamente a percepção e a declaração de preferência, mesmo quando o produto é o mesmo. A familiaridade e os laços afetivos e cognitivos criados com marcas fortes podem levar os consumidores a reportar uma preferência que não é refletida na atividade cerebral. Este estudo destaca a complexa interação entre a experiência sensorial, o processamento cognitivo e a influência do marketing na formação de preferências do consumidor. A pesquisa demonstra que a percepção da marca pode sobrepor-se à experiência sensorial pura, influenciando a avaliação final do produto.



