Henrique Pacini fala sobre a economia circular, que visa melhorar o sistema de consumo da população
O Dia Mundial do Meio Ambiente nos convida a refletir sobre a relação entre recursos naturais e consumo. Para discutir a economia circular como alternativa ao modelo linear atual, conversamos com o economista Henrique Pacini, que trabalha nas Nações Unidas.
Desafios da Sustentabilidade e a Economia Circular
A sociedade moderna é altamente consumista, gerando grandes quantidades de resíduos e desequilíbrios ambientais. O modelo econômico linear, que extrai, produz, usa e descarta, é insustentável. A economia circular busca otimizar esse processo, reorganizando a forma como consumimos. Um exemplo claro é a produção de plástico: o modelo linear resulta em grande desperdício, com apenas 4% do plástico residencial sendo reciclado em Ribeirão Preto, e índices ainda menores em outros países. A economia circular propõe a reutilização e reciclagem de materiais, criando valor e reduzindo o impacto ambiental.
Soluções e Mudanças de Hábitos
A economia circular é aplicável a empresas, poder público e, principalmente, ao consumidor. Henrique Pacini destaca a importância da conscientização e educação para um consumo mais consciente. Ele cita exemplos como a reutilização de roupas, a utilização de plataformas digitais para conectar oferta e demanda de produtos usados, e a adoção de sistemas de compartilhamento de bens como carros e máquinas de lavar roupa, que aumentam a eficiência e reduzem o desperdício. A reciclagem de materiais como plásticos e metais também é crucial, embora o custo de reciclagem possa ser maior que o de materiais virgens. No entanto, o impacto ambiental dos materiais virgens, como o petróleo, não é contabilizado no preço final, o que torna a reciclagem uma opção mais sustentável a longo prazo. A implementação de tratados globais para regulamentar a produção de plásticos e incentivar a reciclagem é fundamental.
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O Papel do Poder Público e a Cultura da Circularidade
O poder público tem um papel importante na promoção da economia circular por meio de incentivos, regulamentações e licitações públicas que priorizem produtos sustentáveis. Henrique Pacini cita o exemplo do leite de soja, que era popular nos anos 90 e hoje é mais caro, demonstrando como políticas públicas podem influenciar o mercado. A reciclagem enfrenta o desafio da escala, sendo mais eficiente em grandes indústrias do que em residências. A conscientização individual, como a separação de resíduos e a busca por cooperativas de reciclagem, é crucial para melhorar a eficiência do processo. A economia circular não é apenas uma questão ambiental, mas também econômica e social, gerando empregos e renda. A transição para um modelo mais sustentável requer a colaboração de empresas, governos e consumidores, promovendo uma mudança cultural em relação ao consumo e à valorização dos recursos.



