José Carlos de Lima Júnior fala dessa recuperação que deve ser um dos pontos debatidos na reunião do G20, em Belém
O Brasil enfrenta atualmente um desafio significativo relacionado à recuperação de áreas degradadas, Como recuperar áreas produtivas atingidas pelos incêndios?, tema que ganha destaque no contexto do agronegócio e das políticas ambientais. A situação é agravada pelas queimadas, que causam prejuízos econômicos e ambientais consideráveis, especialmente para os produtores rurais. Segundo representantes do setor sucroenergético, como a Sosicana, os danos financeiros decorrentes das queimadas podem ultrapassar a casa do bilhão de reais.
José Carlos de Lima Júnior, Como recuperar áreas produtivas atingidas pelos incêndios?, especialista em agronegócio, destacou em entrevista à CBN Ribeirão a complexidade do problema, que envolve não apenas as queimadas recentes, mas também a recuperação de áreas degradadas por atividades passadas. Ele ressaltou que o Brasil possui uma grande oportunidade nos próximos meses para avançar nesse tema, especialmente com a realização da COP 20, que ocorrerá em Belém, onde a recuperação de áreas degradadas estará entre as pautas discutidas.
Contexto e importância da recuperação de áreas degradadas
O foco inicial dos esforços de recuperação está em áreas que antes eram produtivas, especialmente aquelas destinadas à pecuária, que atualmente apresentam baixa produtividade. A degradação do solo nessas regiões ocorre devido à exposição direta ao sol, resultando em perda de umidade e qualidade, o que pode levar à desertificação local.
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Investimentos para a recuperação dessas áreas podem direcionar a terra tanto para a retomada da agricultura quanto para o cultivo de florestas plantadas, que têm apresentado crescimento significativo. Essa recuperação não só melhora as condições do solo e do clima local, mas também contribui para a sustentabilidade da produção agrícola e pecuária.
Planejamento e investimentos internacionais: José Carlos enfatizou a necessidade de planejamento estratégico para esses investimentos, destacando que o interesse global em manter as reservas naturais brasileiras é grande. O Brasil, com sua vasta extensão territorial e potencial para conservar vegetação nativa, tem atraído fundos internacionais, especialmente aqueles vinculados a mecanismos como a pegada de carbono e os green bonds.
Esses investimentos são impulsionados pela governança ambiental e pela busca por práticas sustentáveis, posicionando o país como um ator relevante na agenda ambiental global. A recuperação de áreas degradadas é vista como uma oportunidade para equilibrar a produção agrícola com a conservação ambiental.
Desafios e perspectivas para o futuro
Apesar da urgência, o processo de recuperação é lento e demanda anos para que os resultados sejam efetivos. José Carlos ressaltou que, embora o ideal fosse ter iniciado essas ações há mais tempo, a procrastinação é uma característica cultural que tem atrasado a tomada de decisões importantes. No entanto, ele acredita que o país está começando a direcionar esforços para essa causa, o que pode gerar benefícios significativos a médio e longo prazo.
Um ponto importante destacado foi a mudança na percepção sobre as queimadas. Historicamente, o produtor rural era visto como o principal responsável pelas queimadas, uma prática comum no manejo agrícola. Atualmente, reconhece-se que o agronegócio é um dos maiores prejudicados financeiramente por essas ocorrências, que afetam diretamente a produção e o clima.
Além dos prejuízos econômicos, as queimadas impactam negativamente o meio ambiente e a sociedade como um todo, reforçando a necessidade de estratégias mais assertivas para mitigação e prevenção. As mudanças climáticas, cada vez mais severas, exigem responsabilidade compartilhada entre produtores, comunidades locais e a sociedade em geral.
Informações adicionais
A COP 20, evento internacional que será realizado em Belém, deve abordar a recuperação de áreas degradadas como uma das pautas centrais, refletindo a importância do tema para a agenda ambiental global. Os green bonds, títulos financeiros que incentivam investimentos sustentáveis, são uma das ferramentas que podem viabilizar recursos para esses projetos no Brasil.
O agronegócio, apesar de ser frequentemente associado às queimadas, é uma das principais vítimas dos incêndios, que causam perdas significativas na produção agrícola, como no caso do algodão no Piauí. A conscientização sobre os prejuízos compartilhados pode fomentar uma maior colaboração entre os setores para a implementação de soluções eficazes.