Promotor Claudio Morelli conversou com a CBN Ribeirão
A cidade de Serrana, no interior de São Paulo, enfrenta um escândalo envolvendo um concurso público realizado na gestão do ex-prefeito Nelson Garavazo. O Ministério Público (MP) investiga possíveis irregularidades que teriam beneficiado três candidatos, levantando a suspeita de fraude e colocando em xeque a validade da seleção.
A Denúncia e a Investigação do Ministério Público
O promotor de justiça de Serrana, Claudio Morelli, detalhou o caso, revelando que a investigação teve início após uma denúncia anônima. Três dias antes da divulgação do resultado, um cidadão declarou publicamente que três pessoas ligadas ao ex-prefeito seriam aprovadas. A coincidência se confirmou com a publicação dos resultados, e duas dessas pessoas foram nomeadas em um período vedado pela lei eleitoral, a poucos dias do fim do mandato de Garavazo.
Falsificação de Gabarito e Anulação Parcial do Concurso
A investigação revelou um caso ainda mais grave: a falsificação do gabarito de uma candidata ao cargo de professora de educação infantil. A candidata registrou um boletim de ocorrência, alegando que o número de acertos registrado em seu gabarito era inferior ao que ela realmente havia obtido. Uma perícia confirmou a falsificação da assinatura, o que a eliminou da disputa, relegando-a à 142ª posição. Diante das evidências, o MP ingressou com uma ação civil pública, solicitando a anulação do concurso para os cargos de agente de controle de vetores, assistente social, psicóloga e professor de educação infantil, além da exoneração dos aprovados e da responsabilização do ex-prefeito e da empresa responsável pelo concurso por atos de improbidade administrativa.
Consequências para os Envolvidos e Candidatos de Boa-Fé
A Justiça determinou a suspensão dos efeitos do concurso e a exoneração dos nomeados. O promotor Morelli ressaltou que os candidatos de boa-fé que foram prejudicados têm direito a ressarcimento e podem buscar indenização junto aos responsáveis pela fraude, inclusive o município. O ex-prefeito Nelson Garavazo poderá ser condenado por improbidade administrativa, com pedido de indisponibilidade de bens para garantir futura indenização. A produção da Rádio Cébeno tentou contato com o ex-prefeito, mas não obteve resposta. A empresa Assessoriare, responsável pelo concurso, negou qualquer envolvimento nas irregularidades.
A anulação parcial do concurso gera incertezas e frustrações, mas busca garantir a lisura e a justiça na seleção de servidores públicos.



