Jornalista bate papo com o escritor e romancista de Araraquara, Ignácio de Loyola Brandão
Neste sábado, o programa Nossa Gente recebeu o escritor Inácio de Loella Brandão, um araraquarense que, apesar de suas raízes locais, abrange temas universais em sua vasta obra literária, com mais de 30 livros publicados em diversos gêneros e traduzidos para vários idiomas. Membro da Academia Paulista de Letras e imortal da Academia Brasileira de Letras desde março de 2019 (cadeira 11), Brandão compartilhou reflexões sobre sua trajetória e a atualidade.
Raízes Araraquarenses e Visão do Brasil
Brandão, que cresceu no bairro do Carmo em Araraquara, descreveu suas fortes ligações com a região, incluindo suas frequentes visitas a Ribeirão Preto e São Carlos. Suas obras refletem não apenas suas vivências pessoais, mas também uma aguda percepção da realidade brasileira, abordando temas como devastação ambiental, poluição e aquecimento global – questões que, segundo ele, já eram discutidas há décadas, mesmo antes de se tornarem amplamente debatidas na mídia.
Premonição Literária e a Realidade
O autor destacou a capacidade da literatura de antecipar ou mesmo moldar o futuro. Ele citou seu livro publicado em 1982, escrito na década de 1970, que, sem intenção, previu muitos dos desafios atuais do país. Brandão argumenta que a literatura permite exagerar a realidade, tornando o absurdo palpável e, assim, refletindo de forma crítica o mundo ao nosso redor. A obra, inicialmente uma fábula, tornou-se, com o passar do tempo, um retrato assustadoramente realista do Brasil.
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A Literatura como Reflexão e Ação
Brandão recebeu o Troféu Juca Pato em dezembro de 2022, uma honraria que o comoveu profundamente. Seus livros, como Dessa Terra Nada Vai Sobrar, a Não Ser o Vento Que Sopra Sobre Ela (2018), demonstram seu posicionamento político e sua preocupação com o futuro do país. Ele acredita que a literatura não pode se calar diante das adversidades, servindo como ferramenta de reflexão e, por que não, de ação. A obra, escrita antes da última eleição presidencial, já antecipava a chegada de um líder sem coração, sentimento e cérebro, alertando para a necessidade de engajamento e mudança.
A conversa abordou ainda a trajetória literária de Brandão, incluindo seus livros infantis, suas crônicas paulistanas e suas biografias, como a de Roberto e Ruth Cardoso. O autor destacou a importância da memória na construção de suas narrativas, sem, no entanto, se prender a um romantismo nostálgico do passado. A obra de Brandão é um convite à reflexão sobre o presente, a partir de uma perspectiva histórica e literária rica e instigante.



