Pacientes falam sobre o preconceito para quem não segue os ‘padrões estéticos’ da sociedade
A má combinação de má alimentação e sedentarismo tem levado muitas pessoas a perderem o controle sobre o próprio corpo. No Brasil, dados da vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas apontam que um em cada cinco brasileiros é obeso, e mais da metade da população está acima do peso.
O drama de Ana Rúbia
Ana Rúbia Lapola, de 48 anos, dona de casa, chegou a pesar 180 quilos. Ela descreve o sofrimento de tarefas simples, como comprar roupas: “Eu não achava uma roupa que servia, chegava nas lojas, era motivo de piada… a vida dentro de casa, época do calor você assa tudo. Não gosto nem de lembrar”. Além do preconceito sofrido, Ana Rúbia enfrentou problemas de saúde graves, como ácido úrico nos pés, hipertensão e inchaço nas pernas, chegando a ter rachaduras nos dedos dos pés que sangravam.
A pressão estética e os impactos emocionais
A psicóloga Maria Luisa Dantas, especialista em comportamento alimentar, comenta sobre a pressão estética da sociedade e o preconceito contra pessoas fora do padrão de beleza considerado ideal. Ela destaca que a ideia de que emagrecer é apenas questão de força de vontade ignora os complexos fatores que influenciam a composição corporal. Esse preconceito, muitas vezes disfarçado em comentários aparentemente inofensivos, afeta a autoestima e pode levar a impactos emocionais como ansiedade e a adoção de dietas restritivas e insustentáveis, que podem até mesmo prejudicar a saúde.
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Fatores que contribuem para a obesidade e alternativas de tratamento
O nutrólogo José Ernesto dos Santos explica que o diagnóstico de obesidade requer a investigação de possíveis doenças endócrinas. Excluídas essas condições, o estilo de vida, com alimentação inadequada, e fatores genéticos são considerados. Ana Rúbia, após consultar diversos profissionais, optou pela cirurgia bariátrica, perdendo cerca de 100 quilos e melhorando significativamente sua qualidade de vida. Ela relata: “Eu não dei cabelo, não dei corpo, não dei minha vida de casada… Hoje eu me sinto bem, tenho uma vida leve”.
A experiência de Ana Rúbia destaca a complexidade do problema da obesidade, envolvendo aspectos físicos, emocionais e sociais. A busca por ajuda profissional e a adoção de estratégias adequadas são fundamentais para o enfrentamento dessa questão.



