Especialista aponta alternativas para diminuir a reincidência de menores na criminalidade
São Paulo enfrenta um desafio preocupante: quase 10 mil jovens internados por envolvimento em crimes. Por que tantos jovens se entregam à criminalidade, abandonando estudos, amizades e sonhos? Este artigo investiga as causas e possíveis soluções para este problema.
Drogas e a falta de oportunidades
Em Ribeirão Preto, a Secretaria de Justiça aponta as drogas como principal fator que leva menores à Fundação Casa, além de contribuir para a reincidência. O professor Sérgio Codato, do Observatório da Violência, destaca experiências internacionais bem-sucedidas, onde unidades de internação localizadas no centro da cidade recebem projetos comunitários esportivos, artísticos e ocupacionais, oferecendo alternativas aos jovens. A integração com a comunidade, por meio de voluntários e atividades enriquecedoras, é crucial para a ressocialização.
O papel da família e o apelo do tráfico
A estrutura familiar também desempenha um papel significativo. A falta de apoio, ou a necessidade de trabalhar para sustentar a casa, força muitos jovens a buscar caminhos mais rápidos, como o roubo e o tráfico, conforme relata Rogério de Siqueira, coordenador do NAIR Ribeirão. Ele destaca a dificuldade de competir com a renda fácil e rápida oferecida pelo tráfico de drogas, tornando difícil convencer os jovens a optarem por estudos ou empregos convencionais. A Fundação Casa, apesar de oferecer ensino básico, atividades culturais, esporte, lazer e ensino profissionalizante, muitas vezes não consegue preparar adequadamente os jovens para a reinserção na sociedade.
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Desafios na reinserção e a importância da transparência
Dimas Facioli, consultor de recursos humanos, argumenta que a passagem pela Fundação Casa não deve ser um fator determinante na seleção de candidatos a empregos ou estágios. Ele enfatiza a importância da preparação técnica e da capacidade de se apresentar bem em entrevistas. A transparência sobre a experiência na Fundação Casa pode até ser vista como um ponto positivo, demonstrando resiliência e superação. No entanto, a realidade é que muitos jovens enfrentam preconceitos e dificuldades na busca por trabalho, mesmo com a preparação adequada. A falta de oportunidades e a facilidade de acesso a dinheiro ilícito contribuem para que jovens se envolvam com o crime, como aponta o sociólogo Almir Souza. O tráfico de drogas, nesse sentido, acaba funcionando como uma forma de “emprego” para muitos.
Enquanto o país enfrenta desafios complexos, como a corrupção e a recuperação de dinheiro público desviado, projetos sociais que poderiam auxiliar na redução da criminalidade são deixados em segundo plano. O acesso à saúde, à educação de qualidade e a programas de inserção social para famílias de baixa renda são essenciais para evitar que números alarmantes como este continuem a crescer. A busca por soluções eficazes e a priorização de políticas públicas que promovam a inclusão social são cruciais para enfrentar esse desafio.



