Um dos prédios que fazem parte da identidade cultural e econômica de Ribeirão é a Fábrica Matarazzo; conheça sua história
A fábrica Matarazzo chegou a Ribeirão Preto na década de 1930, em plena expansão industrial brasileira, coincidindo com o declínio da cafeicultura após a quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929. A crise afetou diretamente os empregos no campo, impulsionando a migração para as cidades e a busca por oportunidades na indústria.
O Império Matarazzo em Ribeirão Preto
O Conde Francesco Matarazzo, figura influente na industrialização brasileira, instalou sua primeira unidade em Ribeirão Preto na rua José Bonifácio em 1936. A fábrica processava algodão e azeite, e também extraía querosene, essencial para a iluminação da época. A historiadora Lilian Rosa destaca a importância das indústrias Matarazzo para a industrialização brasileira, com unidades em São Paulo, Sorocaba e Ribeirão Preto, aproveitando a desestruturação da economia cafeeira e a crescente demanda por mão de obra urbana.
Expansão e Declínio
Com o crescimento do setor industrial, a unidade da rua José Bonifácio se tornou insuficiente. Em 1945, um terreno de 150 mil metros quadrados no bairro Barracão (atual Campos Elíseos) foi adquirido, e um grande complexo industrial foi construído, finalizado em 1951. Este período contou com incentivos governamentais de Getúlio Vargas para impulsionar a indústria nacional, inclusive para atender ao mercado externo, especialmente a Europa, debilitada pela guerra. A fiação e tecelagem Matarazzo teve papel fundamental na formação do bairro Campos Elíseos. José Bernardo, funcionário por quase dez anos (1971-1979), lembra de uma época com mais de 2 mil funcionários e operação 24 horas. No entanto, a década de 1980 trouxe forte concorrência, levando a Matarazzo à falência em 1981 e posterior aquisição pela Siane, que também faliu pouco mais de uma década depois.
Um Patrimônio Abandonado
Desde então, o prédio permanece abandonado, depredado e em ruínas, alvo de vandalismo e ocupado por moradores de rua e usuários de drogas. José Bernardo lamenta o estado atual e sonha com a revitalização do espaço. Apesar do tombamento em 2010 como patrimônio histórico, e apesar de tentativas de parcerias público-privadas, o local permanece sem uso. A população local é cética quanto à possibilidade de restauração. A prefeitura afirma estudar um projeto, mas não oferece detalhes, atribuindo a responsabilidade pela limpeza do local à área particular. A historiadora Lilian Rosa aponta a falta de gestão como fator crucial para o abandono, ressaltando a importância da preservação da memória dos operários e a possibilidade de transformação do espaço em um centro cultural ou cluster criativo, como exemplos bem-sucedidos em outras cidades.



