Quais fatores influenciam para que a Covid-19 cause sintomas e gravidades diferentes nos pacientes? Confira!
Rodrigo Rodrigues, jornalista do Esportev, faleceu em julho aos 45 anos devido a uma trombose cerebral, consequência da covid-19. Apesar de apresentar 100 fatores de risco, sua morte destaca o caráter imprevisível da doença.
Coágulos sanguíneos: uma resposta inflamatória exacerbada
Pesquisadores da USP investigam a formação de coágulos sanguíneos em pacientes com covid-19. Esses coágulos, que surgem geralmente a partir da segunda semana de infecção, não são causados diretamente pelo vírus, mas sim por uma resposta inflamatória intensa do organismo. Utilizando um vídeo microscópio, cientistas registraram pela primeira vez a formação desses coágulos na língua de pacientes internados, órgão de fácil acesso para exame. A alta densidade de capilares em órgãos como pulmões, rins, fígado, intestino e cérebro os torna mais suscetíveis a complicações.
Novos tratamentos e a busca por respostas
A descoberta da formação de coágulos direcionou novos tratamentos, como o uso de corticoides, que mostraram eficácia na redução da mortalidade em casos graves. Entretanto, a grande interrogação permanece: por que alguns pacientes desenvolvem formas graves da doença, enquanto outros apresentam sintomas leves ou sequer são infectados?
Resistência ao vírus: fatores genéticos e a chave-fechadura
O geneticista Wilson Araujo Silva Filho explica que a invasão do vírus à célula humana depende da interação entre a proteína Spike do vírus e o receptor ACE2 na célula. Essa interação pode ser comparada a uma chave e uma fechadura. Indivíduos com variações genéticas que “reforçam a fechadura” podem ser mais resistentes à infecção, impedindo a entrada do vírus na célula. Estudos com o DNA de 800 pacientes estão em andamento para melhor compreender essa proteção e as mutações no vírus que facilitam sua entrada nas células. A pesquisa também abrange o desenvolvimento de vacinas e os avanços na área.
A experiência de Maria Aparecida e João, que tiveram contato próximo com a covid-19, mas apresentaram resultados diferentes, ilustra a complexidade da resposta individual ao vírus. Enquanto Maria Aparecida foi infectada, João permaneceu imune, destacando a influência de fatores genéticos e imunológicos na suscetibilidade à doença.



