A pujança econômica de Ribeirão Preto no século passado impulsionava a construção de novos empreendimentos, conheça alguns
Ribeirão Preto, fundada em 1856, teve sua economia inicialmente impulsionada pela produção cafeeira, à época principal produto de exportação do Brasil. A colheita, realizada majoritariamente por imigrantes italianos e seus descendentes, era árdua e pouco lucrativa para os colonos, que muitas vezes buscavam alternativas de trabalho além dos cafezais.
O Comércio e a Expansão Urbana
Com o crescimento populacional, o comércio local se fortaleceu, especialmente na região central da cidade. Armazéns surgiram, atraindo os barões do café e impulsionando o desenvolvimento econômico. Estabelecimentos como o Açougue Oranges, na região das ruas São Sebastião e José Bonifácio, se tornaram marcos da história local, com relatos como o de Otavo Urbano, ex-funcionário com mais de 30 anos de trabalho no local, que descreve a rotina de trabalho árdua e tradicional do açougue.
Patrimônio Histórico em Risco
A partir da década de 1930, a indústria e o comércio deram um novo ritmo à cidade, transformando-a em uma grande metrópole. O Hotel Brasil, construído na década de 1920, hospedou autoridades, atletas e se tornou um importante ponto de referência, como recorda o alfaiate Judemar de Oliveira, que trabalha no centro desde 1969. Atualmente, porém, tanto o Hotel Brasil quanto o Açougue Oranges encontram-se abandonados e em estado de degradação, apesar de tombados pelo patrimônio histórico. A falta de iniciativa por parte dos proprietários, somadas à inércia das autoridades, coloca em risco a preservação desses importantes marcos da história ribeirão-pretana.
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Preservação e Desenvolvimento
A falta de gestão e comprometimento de diversas partes interessadas é apontada como a principal causa para a situação de abandono desses prédios históricos. Dorival Balbino, presidente da Associação Comercial Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), destaca a dificuldade em encontrar soluções, mesmo com a identificação de potenciais compradores. Anderson Paul Verrell, presidente do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural, enfatiza a necessidade de proatividade da prefeitura para pressionar os proprietários e atrair investidores que contemplem a preservação e a rentabilidade dos espaços. A atualização do plano diretor, após 23 anos, e novas regulamentações sobre o uso e ocupação do solo, visam dar maior autonomia ao poder público para atuar na preservação do patrimônio histórico da cidade, incluindo a possibilidade de arrecadação dos imóveis para posterior restauração em parceria público-privada ou a aplicação de IPTU progressivo.



