Evento marca a abertura da safra de cana-de-açúcar e se encerrou nesta quinta (8); Ribeirão Preto novamente foi sede da reunião
Terminou nesta quinta-feira a Taagro, encontro que marca a abertura da safra de cana-de-açúcar. Em sua oitava edição, realizada em Ribeirão Preto — cidade referência no agronegócio — o evento juntou executivos, especialistas e políticos para debater as perspectivas para a colheita e moagem do biênio 2024–2025.
Abertura e temas em destaque
Foram realizados dezenas de painéis sobre mercado mundial, sustentabilidade no setor suco-energético, avanços tecnológicos, financiamento e diversificação do uso de biocombustíveis. O clima e a disponibilidade de chuva dominaram as discussões como principal risco para a próxima safra. Segundo o empresário do setor suco-energético Maurílio Biage Filho, “há um fator primordial: o clima, a chuva. Isso não depende do produtor; é a grande diferença da agricultura em relação a outros segmentos da economia.” Biage também destacou a evolução tecnológica presenciada ao longo dos anos, ainda que ela não neutralize por completo os efeitos de uma safra menor.
Projeções e impacto dos custos
A moagem de cana na região Centro-Sul deve cair 9,8% em relação ao ciclo anterior, com projeção de 592 milhões de toneladas ante 656 milhões em 2023/24. Paulo Bruno Craveiro, analista de dados da consultoria responsável pelo evento, apontou o diesel como um fator central para a elevação de custos e a queda de produtividade. “Houve três mudanças significativas no início do ano: o retorno do piso do diesel, o aumento do ICMS e a elevação da mistura de biodiesel de 12% para 14%”, explicou Craveiro, ressaltando que essas alterações refletem no custo de insumos como defensivos e fertilizantes e encarecem o transporte — o que, segundo ele, elevou o custo por tonelada de cana de R$ 41 para R$ 46.
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Política estadual e oportunidades
Na abertura do evento, o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Guilherme Piai, afirmou que o governo estadual pretende fomentar a produção de combustíveis limpos. “Vamos usar o nosso pré-sal caipira. São Paulo tem uma preciosidade”, disse, ressaltando que, dos quase 10 milhões de hectares de cana no Brasil, cerca de 6 milhões estão em São Paulo. O secretário lembrou ainda que o estado registra 180 usinas e que quase 70 delas ficam a menos de 20 quilômetros de gasodutos existentes, argumento usado para defender investimentos na cadeia.
Ao final, produtores e especialistas deixaram o encontro com um misto de cautela e expectativa diante das incertezas climáticas e dos efeitos das medidas de preço e mistura de combustíveis, confiantes de que avanços tecnológicos e políticas públicas podem mitigar alguns dos impactos sobre a próxima safra.