Médico Roberto Franco conversou com a CBN Ribeirão
Médicos brasileiros e estrangeiros se reúnem a partir desta quinta-feira em Ribeirão Preto para participar do 21º Congresso Brasileiro de Hipertensão, Congresso sobre hipertensão começa nesta quinta em Ribeirão, que ocorre até domingo no centro de convenções da cidade. O evento tem como objetivo discutir as causas do abandono do tratamento contra a hipertensão arterial, bem como apresentar alternativas para melhorar a adesão dos pacientes às terapias disponíveis.
A hipertensão arterial é uma doença que afeta cerca de 30% da população brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde. Caracterizada por níveis elevados e persistentes de pressão arterial, a condição é assintomática na maioria dos casos, o que dificulta a percepção da necessidade de tratamento por parte dos pacientes. Essa característica contribui para o abandono precoce da medicação, agravando os riscos cardiovasculares associados.
Desafios na adesão ao tratamento: De acordo com o Dr. Roberto Franco, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão, a adesão ao tratamento é um dos maiores desafios enfrentados atualmente. Ele destaca que, embora existam medicamentos seguros e com poucos efeitos colaterais, muitos pacientes interrompem o uso ao atribuir sintomas não relacionados ao remédio.
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“Hoje em dia, dos pacientes que são tratados, somente 10 a 20% persistem no tratamento; os restantes, em seis meses, abandonam totalmente”, afirmou o especialista.
O abandono do tratamento aumenta o risco de complicações graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal. Por isso, o controle contínuo da pressão arterial é fundamental para reduzir a mortalidade e morbidade associadas à hipertensão.
Importância do tratamento contínuo e mudanças no estilo de vida
O tratamento medicamentoso para hipertensão deve ser mantido por toda a vida, com o objetivo de controlar a pressão arterial em níveis normais. Além disso, mudanças no estilo de vida são recomendadas para complementar o tratamento e melhorar a saúde geral dos pacientes.
“O que a gente preconiza seria o que a gente chama de mudança do estilo de vida, que é válido não somente para indivíduos hipertensos, mas para o público em geral”, explicou Dr. Roberto Franco.
Entre as recomendações estão a adoção de uma alimentação equilibrada, com redução do consumo de sal e álcool, a prática regular de exercícios físicos e o controle do estresse. Essas medidas auxiliam na redução da pressão arterial e contribuem para a prevenção de outras doenças crônicas.
Fatores de risco e prevalência da hipertensão: A hipertensão pode surgir em qualquer idade, mas apresenta maior prevalência entre os 30 e 40 anos. A incidência da doença aumenta com o envelhecimento da população, atingindo cerca de 50 a 60% das pessoas acima de 50 anos e chegando a 70 a 80% em idosos com mais de 80 anos.
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da hipertensão incluem o consumo excessivo de sal, sedentarismo, obesidade, ingestão abusiva de álcool, tabagismo e estresse. A combinação desses fatores contribui para o aumento da pressão arterial e a progressão da doença.
Congresso Brasileiro de Hipertensão: O 21º Congresso Brasileiro de Hipertensão reúne especialistas nacionais e internacionais para debater os desafios no tratamento da doença e apresentar avanços científicos. Entre os temas em pauta está a descoberta de um hormônio capaz de combater a hipertensão e doenças cardíacas, o que pode representar um avanço significativo no tratamento futuro.
O evento conta com a participação de especialistas renomados, como William Cushman, dos Estados Unidos, Egonanini, da Sociedade Argentina de Hipertensão, e Dagmara Herring, da Austrália. A abertura do congresso inclui uma palestra do escritor Ariano Suassuna, que também é paciente em tratamento para hipertensão arterial, abordando as raízes populares da cultura brasileira.
Informações adicionais
A hipertensão arterial é a principal causa de mortalidade no Brasil e no mundo, sendo responsável por cerca de 9 milhões de mortes globais anualmente. A detecção precoce da doença, por meio da medição regular da pressão arterial, é fundamental para o controle eficaz e a prevenção de complicações graves.



