Presente nos trava-línguas, poemas e músicas, a repetição de algumas consoantes causam um único som; ouça a coluna!
A entrevista a seguir, concedida pela mestre em linguística Lígia Boareto, explica de forma simples e didática dois recursos linguísticos: a aliteração e a assonância.
Aliteração: a repetição de consoantes
A aliteração é um recurso linguístico que consiste na repetição de fonemas consonantais, ou seja, a repetição de consoantes em palavras próximas. É um recurso comum em poemas, músicas e trava-línguas. A música “Pedro Pedreiro”, de Chico Buarque, exemplifica bem esse recurso com a repetição da consoante “P” em “Pedro, pedreiro, penseiro, esperando o trem”. Outros exemplos são “Rato roeu a roupa do rei de Roma” (repetição do “R”) e “Chove chuva, chove sem parar” (repetição do “ch”). A repetição de palavras inteiras também pode ser considerada aliteração, desde que haja repetição do som consonantal.
Assonância: a repetição de vogais
A assonância é semelhante à aliteração, mas se caracteriza pela repetição de fonemas vocálicos, ou seja, a repetição de vogais em palavras próximas. Um exemplo citado na entrevista é a música de Caetano Veloso, com a repetição das vogais em “berro pelo aterro, pelo disterro, berro por seu berro, pelo seu erro”.
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Tanto a aliteração quanto a assonância são recursos expressivos que contribuem para a musicalidade e o ritmo do texto, sendo frequentemente utilizados em contextos poéticos e musicais. No entanto, seu uso em textos jornalísticos deve ser cauteloso, pois pode prejudicar a clareza e a objetividade da mensagem. A repetição intensiva de sons pode soar artificial ou até mesmo inadequada em um contexto informativo.