Equipe do Terra da Gente fala sobre as cartas escritas no século XVI por Padre Anchieta; ouça a coluna ‘CBN Sons da Terra’
A Mata Atlântica, outrora um imenso tapete verde que cobria o litoral brasileiro, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, possui uma história intrinsecamente ligada à história do Brasil. Desde a chegada dos portugueses, passou por inúmeras transformações, sofrendo impactos significativos desde muito antes da colonização.
Ação Humana na Mata Atlântica: De Antes de 1500 aos Dias Atuais
A exploração intensa da Mata Atlântica iniciou-se com a colonização portuguesa, mas os povos indígenas já utilizavam práticas como a agricultura de coivara, que envolvia a queima de áreas florestais para cultivo. Embora a densidade populacional indígena fosse alta (estima-se 10 milhões de pessoas no Brasil na época da chegada dos portugueses), o impacto ambiental era diferente do que se observa na era moderna. Mesmo assim, é improvável encontrar qualquer fragmento da Mata Atlântica que não tenha sofrido alguma interferência humana, mesmo que antes de 1500. O que chamamos hoje de ‘capoeira’ são áreas anteriormente plantadas, resultado dessas práticas ancestrais.
Fragmentação e Consequências
A fragmentação da Mata Atlântica, causada pelo desmatamento e pela urbanização, resultou em ilhas de floresta isoladas, impactando a biodiversidade. Animais como o muriqui, por exemplo, foram empurrados para o sul, limitados por barreiras como serras e estradas. Essa fragmentação leva à erosão genética, à perda de vigor genético e à dependência de dispersores, afetando plantas e animais. Áreas que antes eram ricas em biodiversidade, como a relatada por Padre Anchieta em 1560, hoje apresentam uma diversidade muito menor. A perda da mata implica também na perda de serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação hídrica, afetando diretamente a população humana.
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Preservação, Restauração e o Futuro da Mata Atlântica
Apesar do cenário crítico, a preservação das áreas remanescentes e a restauração de áreas degradadas são cruciais. A criação de corredores ecológicos é fundamental para conectar as ilhas de floresta, permitindo a movimentação da fauna e a troca genética. É importante entender que a Mata Atlântica não é algo separado da vida humana; ela é parte integrante do nosso ecossistema, fornecendo água potável e influenciando o clima. A preservação da Mata Atlântica é, portanto, uma questão de preservação da humanidade e da qualidade de vida das gerações futuras. A restauração florestal, contudo, precisa considerar a existência de áreas fonte para que a floresta restaurada não seja apenas um espaço vazio, mas um ecossistema vivo e funcional.