Com mais de 50 anos de produções artísticas, artista plástico enfrentou o racismo e se tornou referência na região de Ribeirão
O ano de 2024 foi declarado como o “Ano Macalé” por familiares e apreciadores da obra do artista plástico e arte-educador Jaime Domingos Cruz, Conheça a história de Jaime Domingos, o ‘Macalé’, conhecido como Macalé. A homenagem visa destacar os mais de 50 anos de sua trajetória artística em Ribeirão Preto, cidade para onde se mudou aos sete anos de idade. Ao longo do ano, diversas atividades estão programadas para celebrar sua produção, incluindo exposições, palestras e ações educativas.
Macalé nasceu em Orlândia e, ao chegar em Ribeirão Preto, iniciou uma vida de trabalho precoce para ajudar a família, exercendo funções como servente de pedreiro, engraxate, entregador de jornal e operário na indústria Matarazzo. Paralelamente, desenvolveu uma paixão pela bicicleta, chegando a competir em campeonatos locais. No entanto, a falta de recursos para adquirir equipamentos adequados o afastou das competições, direcionando sua trajetória para as artes visuais.
Trajetória e expressões artísticas: Como artista, Macalé trabalha com diversas linguagens, incluindo pintura, instalações e contação de histórias. Uma de suas instalações mais conhecidas em Ribeirão Preto envolve o uso de bicicletas, pincéis e relógios, exposta no Centro de Arte Contemporânea W. Essa obra convida o público à reflexão sobre o tempo e a mobilidade, elementos presentes em sua trajetória pessoal.
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Além da produção artística, Macalé é reconhecido por seu engajamento com o movimento antirracista, incorporando referências afrodescendentes em suas obras e em suas narrativas culturais. Em eventos, ele utiliza práticas tradicionais, como a produção artesanal de paçoca no pilão, para contar histórias que valorizam a cultura afro-brasileira e sua comunidade.
Participação em movimentos culturais e homenagens
Durante as décadas de 1970 e 1980, Macalé participou ativamente de movimentos artísticos locais, como o Projeto Travessia, que teve grande relevância dentro da comunidade afrodescendente de Ribeirão Preto. Sua relação com outros artistas, como o diretor de teatro Pedro Paulo, é destacada em sua obra. Pedro Paulo foi uma figura importante no teatro local e dirigiu o grupo Travessia, que produziu cultura afro-brasileira em espaços como o Clube José do Patrocínio.
Em reconhecimento à contribuição de Pedro Paulo, a Prefeitura de Ribeirão Preto nomeou o auditório do Palace, local de eventos culturais, em sua homenagem. Esse espaço é utilizado em eventos como a Feira do Livro, onde também são realizadas atividades relacionadas à obra de Macalé.
Atividades programadas para o Ano Macalé: Ao longo de 2024, diversas iniciativas celebram a obra e a vida de Macalé. Já foram realizadas exposições e rodas de conversa, e outras ações estão previstas até o final do ano. A Casa da Memória Italiana, por exemplo, desenvolveu um material educativo para envolver crianças e professores no estudo da arte do artista, ampliando o alcance de sua produção para o público escolar.
Na Feira do Livro de Ribeirão Preto, Macalé será homenageado no Espaço Cufa, reforçando a importância de sua obra para a cultura local. Essas atividades buscam não apenas celebrar a carreira do artista, mas também promover o reconhecimento da arte afro-brasileira e sua influência na identidade cultural da região.
Entenda melhor
Jaime Domingos Cruz, o Macalé, é um artista plástico e arte-educador que desenvolve sua produção há mais de cinco décadas em Ribeirão Preto. Sua obra é marcada pela diversidade de linguagens e pelo engajamento com a cultura afrodescendente. O “Ano Macalé” é uma iniciativa que visa valorizar sua trajetória e ampliar o conhecimento sobre sua contribuição artística e cultural.