Confira a coluna ‘CBN Mulher’, com a jornalista Heloísa Zaruh
Mulheres na Proclamação da República: um longo caminho até a igualdade
O contexto histórico: um país em transição
A Proclamação da República, em 1889, marcou uma profunda mudança no cenário político brasileiro. O fim da monarquia e a instauração de um regime republicano abriram espaço para debates sobre novas formas de participação política, incluindo a participação feminina. Antes de 1889, o voto feminino era impensável. Com a transição para a república, a possibilidade de mulheres votarem, escolherem seus governantes e até mesmo se candidatarem, começou a ser considerada.
A luta pelo voto feminino: pioneirismo e resistência
A construção da nova Constituição republicana tornou-se palco de importantes debates sobre o voto feminino. Personalidades como a jornalista Zéfina Álvares de Azevedo, proprietária do jornal A Família, publicou artigos defendendo o direito ao voto feminino. Sua atuação foi fundamental, inclusive com a criação de uma peça de teatro sobre o tema. Apesar da mobilização e de diversas emendas parlamentares em prol do voto feminino, a Constituição de 1891 não o contemplou. A luta foi longa e árdua, com inúmeras manifestações e pedidos individuais de títulos de eleitoras sendo avaliados pelos juízes eleitorais.
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A conquista e os desafios atuais
Somente em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, o voto feminino foi finalmente permitido, inicialmente de forma facultativa. A igualdade plena só viria mais tarde, com a lei que definiu o eleitor como cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo. Apesar das conquistas, a representatividade feminina na política brasileira ainda é baixa. A sub-representação em câmaras municipais, estaduais e no congresso nacional demonstra a necessidade de contínuas lutas por igualdade de gênero e maior participação das mulheres nos espaços de poder.
A trajetória da luta pelo voto feminino no Brasil demonstra a importância da perseverança e da organização na busca por direitos. O caminho foi longo e repleto de desafios, mas a conquista do direito ao voto representa um marco fundamental na história da luta pela igualdade de gênero no país. A baixa representatividade feminina na política atual, no entanto, serve como um lembrete de que a luta continua.



