Ouça a coluna ‘CBN Mulher’ com Heloisa Zaruh
Nesta terça-feira, o programa CBN Mulher debateu o papel das mulheres na Inconfidência Mineira, um evento histórico muitas vezes contado apenas pela perspectiva masculina. A historiadora Sandra Molina destaca que a visão machista e paternalista da sociedade brasileira silenciou por muito tempo as contribuições femininas.
Mulheres na Sombra da História
Duas mulheres, em especial, merecem destaque: Hipólita Jácinta Teixeira de Melo e Inácia Gertrudes de Almeida. Hipólita, esposa de um amigo de Tiradentes, era uma mulher culta que auxiliou na comunicação entre os inconfidentes, inclusive quando os líderes estavam presos. Ela arriscou a própria vida enviando mensagens e tentando articular apoio militar. Inácia, viúva de um porteiro da Casa da Moeda, ajudou Tiradentes a encontrar um esconderijo, mostrando sua gratidão pelo tratamento que ele dera à filha.
O Silêncio da História e a Importância da Releitura
A historiadora Sandra Molina explica que a historiografia tradicional, focada na história política, deixou de lado as contribuições sociais, relegando as mulheres a um segundo plano. Somente com a chegada da história social, no século XX, começaram a surgir perguntas sobre o papel das mulheres na Inconfidência e em outros eventos históricos. A análise de documentos históricos sob uma nova perspectiva permitiu resgatar as histórias de mulheres como Hipólita e Inácia, que ousaram desafiar os papéis sociais impostos a elas.
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Um Novo Olhar para o Passado
A participação de Hipólita e Inácia na Inconfidência Mineira demonstra a coragem e a audácia dessas mulheres que se envolveram em um movimento revolucionário em um contexto profundamente patriarcal. Seus atos de resistência e colaboração foram cruciais para o movimento, e suas histórias, finalmente resgatadas, enriquecem a compreensão da Inconfidência e inspiram reflexões sobre o papel da mulher na sociedade brasileira, passado e presente. A comparação com a trajetória de Marielle Franco, uma mulher negra e periférica que lutou por justiça e foi assassinada, reforça a importância de valorizar as vozes e a contribuição das mulheres na construção da história do país.



