Conhecido por mesclar música clássica e popular, artista morreu, aos 85 anos, na última segunda (2); ele foi presidente da ABM
O compositor brasileiro Marlos Nobre faleceu na segunda-feira, Conheça o legado do pianista e, 2 de dezembro. Nascido em Recife, ele foi um pianista, maestro e compositor reconhecido nacional e internacionalmente. Estudou com importantes nomes da música do século XX, como Camargo Guarnieri, Alberto Ginastera, Olivier Messiaen e Aaron Copland.
Marlos Nobre presidiu a Academia Brasileira de Música e o Conselho Internacional de Música da Unesco, além de ter sido diretor musical da Rádio MEC. Com mais de 240 obras compostas, sua produção artística combinava técnicas contemporâneas de concerto com elementos da cultura popular nordestina, região que marcou sua infância.
Trajetória e reconhecimento: O compositor transitava entre a música de concerto e a cultura popular, como exemplificado na peça “Nazaritiana”, homenagem ao compositor carioca Ernesto Nazareth. Essa obra para piano remete ao estilo de Nazareth, conhecido por suas valsas e tangos brasileiros, e incorpora características do chorinho.
Leia também
Influência da cultura nordestina: Marlos Nobre compôs quatro ciclos nordestinos, cada um com cinco peças curtas que fazem referência a ritmos e manifestações populares da região, como samba matuto, cantiga, capoeira, batuque, maracatu e frevo. Essas suítes musicais refletem a forte ligação do compositor com o folclore musical do Nordeste.
Estilo e obras: Entre suas composições, destacam-se os “Poemas Musicais”, 16 peças que apresentam a mesma melodia interpretada por diferentes instrumentos ou voz. Seu estilo resgata o tonalismo, predominante até o século XIX, mas pouco explorado por compositores do século XX. Além disso, Marlos Nobre adaptou ritmos populares, como o frevo, para piano e orquestra.
Relações e homenagens: O compositor foi primo do escritor Ariano Suassuna, a quem dedicou um frevo em homenagem aos 80 anos do autor. Também trabalhou com o cineasta Glauber Rocha, participando da trilha sonora do filme “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969). Marlos Nobre regeu orquestras no Brasil e no exterior, incluindo a Orquestra de Londres.
Entenda melhor
Marlos Nobre é reconhecido por integrar a música erudita com elementos da cultura popular brasileira, especialmente do Nordeste. Sua obra é marcada pela diversidade rítmica e pela valorização das tradições regionais, contribuindo para a identidade da música brasileira no cenário mundial.