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A Araponga, ave da Mata Atlântica, é conhecida por seu canto único e peculiar, que lembra o som de um martelo batendo em uma bigorna. Seu chamado, de acordo com o biólogo Luciano Lima, serve principalmente para atrair fêmeas durante a época reprodutiva, que vai de setembro a fevereiro no Sudeste brasileiro.
O Canto da Araponga: Um Chamado para o Amor
O som alto e inconfundível da Araponga é produzido pelos machos como forma de atrair as fêmeas. A intensidade e frequência do canto são fatores cruciais para a escolha da parceira. A ave não costuma vocalizar fora da época de reprodução, diferentemente de outras espécies que participam do coro da manhã.
Diferenças entre Machos e Fêmeas e Hábitos Migratórios
Uma característica marcante da Araponga é o dimorfismo sexual: o macho possui plumagem branca e pele nua verde-água ao redor dos olhos e garganta, enquanto a fêmea é mais discreta. Além disso, estudos indicam que algumas populações da ave realizam migrações altitudinárias, deslocando-se entre áreas de baixada e altitudes mais elevadas, geralmente acompanhando a frutificação da palmeira Jussara. Apesar de essa migração ser mais curta que a de outras aves, a Araponga pode ser avistada em locais inesperados, inclusive em parques urbanos de grandes cidades.
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O Som Mais Alto do Mundo Animal?
Recentes pesquisas apontam que o canto da Araponga amazônica, parente próxima da espécie da Mata Atlântica, pode ser o som mais alto produzido por um vertebrado, chegando a 125 decibéis – superando até mesmo o canto de um pássaro conhecido por seu som potente. A intensidade do som é tão alta que, quando se está na floresta, é difícil identificar a origem exata do chamado. Além da sua importância ecológica, a Araponga também tem relevância cultural, sendo o nome de cidades e até mesmo sinônimo de uma prática ilegal de escuta telefônica.
A Araponga, com seu canto único e hábitos fascinantes, destaca-se como uma ave emblemática da Mata Atlântica, mostrando a riqueza e complexidade da biodiversidade brasileira. Sua presença, mesmo em áreas urbanas, ressalta a importância da preservação ambiental para a manutenção dessas espécies.