Compositor popularizou o gênero que seria o embrião do choro, considerado patrimônio cultural brasileiro em 2024
Ernesto Nazaré: Um pianista brasileiro que transcendeu fronteiras
Ernesto Nazaré (1863-1934), carioca e patrono da cadeira 28 da Academia Brasileira de Música, é um nome fundamental na história da música brasileira. Apesar de sua formação erudita, com influências claras de Chopin, dedicou-se principalmente à composição de gêneros populares, criando mais de 200 obras para piano.
Do Tango Brasileiro ao Choro: Um legado musical
Nazaré compôs principalmente valsas e tangos brasileiros, sendo este último o embrião do choro. Curiosamente, o tango brasileiro surgiu antes do argentino, mostrando a originalidade e a riqueza da produção musical brasileira. Suas composições, como Odeon (homenagem ao famoso cinema carioca) e Pássaros em Festa, demonstram sua versatilidade e capacidade de criar obras que atravessaram gerações. A obra Brejeiro, inicialmente para piano, ganhou versão cantada em 1905, mostrando sua adaptação a diferentes formatos.
Popularidade e reconhecimento internacional
Seus trabalhos, como Panheite Cavaquinho, chegaram a ser utilizados em produções internacionais, como o filme da Disney Melody Time (1948), demonstrando seu alcance e reconhecimento além das fronteiras brasileiras. A semelhança com Beethoven, em sua perda auditiva progressiva, adiciona um toque dramático à sua trajetória. A surdez, iniciada após uma queda na infância, agravou-se com o tempo, mas não o impediu de deixar um legado inesquecível na música brasileira.
Ernesto Nazaré, apesar dos desafios, deixou uma marca indelével na música brasileira, misturando erudição e popularidade em suas composições. Sua obra continua a inspirar e a ser apreciada, consolidando seu lugar como um dos grandes nomes da música nacional.