Adriana Silva fala da União Geral dos Trabalhadores de Ribeirão, que teve um papel importante no movimento negro da cidade
No contexto do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, a história da população negra em Ribeirão Preto e região é marcada por resistência e luta, conforme destaca pesquisa realizada no Memorial de Resistência do Governo do Estado de São Paulo.
Histórico da União Geral dos Trabalhadores (UGT) em Ribeirão Preto
Nos anos 1920, Ribeirão Preto destacou-se como um importante centro agrícola, Consciência Negra, inicialmente com a produção de café e posteriormente de açúcar. Esse desenvolvimento econômico ocorreu sobre a exploração e repressão dos trabalhadores rurais, gerando conflitos sociais constantes. A UGT surgiu na cidade como um espaço de resistência e organização dos trabalhadores negros. Após o fechamento da UGT em 1964 devido à repressão política, o local foi ocupado pelo grupo liderado por Zé do Patrocínio, que atuava na defesa das pautas do movimento negro.
Patrimônio histórico e cultural: O prédio que abrigava a UGT é hoje o Memorial da Classe Operária e é tombado como patrimônio histórico, Consciência Negra, preservando as referências arquitetônicas e a memória das lutas trabalhistas e negras na cidade. Em 2018, a prefeitura revogou a doação de um terreno feita em 1971 para a construção do Centro Social Recreativo Beneficente José do Patrocínio, que não chegou a ser construído.
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Outras referências do movimento negro na região: O Auditório Pedro Paulo, localizado no Centro Cultural Palace, é uma homenagem a Pedro Paulo, diretor de teatro e ativista das questões de matriz africana em Ribeirão Preto. Em Batatais, o movimento carnavalesco negro conseguiu estabelecer um clube aberto a pessoas negras e brancas, desafiando a segregação racial vigente. Em Sertãozinho, a Colônia Preta, uma área centenária, foi criada para receber trabalhadores negros libertos da escravidão, que receberam terras para estabelecer suas famílias e preservar sua cultura, incluindo festas tradicionais como a de São Benedito.
Memória e resistência cultural: Uma tradição oral relatada por descendentes de escravizados menciona o uso da planta Ora-Pro-Nobis como alimento durante missas, aproveitando momentos de distração para colher a planta, que tem significado religioso e cultural. A história da Cruz do Pedro, relacionada a um menino negro assassinado e posteriormente branqueado pela narrativa oficial devido ao racismo da época, também é destacada como símbolo de resistência. O pesquisador Sérgio de Souza, autor do livro “Revivências Negras entre Batuques, Bailados e Devoções: Práticas Culturais e Territórios Negros no Interior Paulista”, contribui para manter viva a memória e os costumes da população negra em Ribeirão Preto até meados do século XX.
Entenda melhor
O reconhecimento e preservação dos espaços históricos ligados à população negra em Ribeirão Preto são fundamentais para a valorização da memória e das lutas dessa comunidade, que enfrentou e ainda enfrenta desafios relacionados à desigualdade e ao racismo estrutural.