O setor da construção civil deve manter crescimento em 2026, mas em ritmo mais lento diante da taxa de juros elevada e de limitações na capacidade de produção. A avaliação é do presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo, José Augusto Viana Neto.
Segundo ele, a expectativa de queda da taxa Selic perdeu força diante do cenário econômico atual, o que impacta diretamente o mercado imobiliário e o potencial de expansão do setor. Mesmo assim, o desempenho registrado em 2025 indica resiliência, com aumento no número de negócios e no volume de recursos destinados ao financiamento imobiliário.
Juros altos
A manutenção da taxa básica em patamar elevado deve continuar influenciando o mercado ao longo de 2026. A projeção é de que os juros permaneçam em torno de 15%, sem reduções no curto prazo. De acordo com Viana, o mercado já se adaptou a esse cenário e segue funcionando, ainda que com menor potencial de crescimento do que teria em um ambiente de juros mais baixos.
Ele afirma que uma eventual queda na Selic ampliaria o acesso ao crédito e aumentaria o número de compradores, impulsionando ainda mais o setor imobiliário.
Apesar da demanda, a construção civil enfrenta um limite na capacidade de expansão. A falta de mão de obra e a dificuldade de acesso a insumos são apontadas como os principais entraves. Segundo o presidente do Creci-SP, o setor já opera próximo do limite de produção, o que impede um crescimento mais acelerado, mesmo diante de maior demanda.
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Ele alerta que um aumento na procura, sem capacidade de oferta, pode pressionar preços e gerar efeitos inflacionários.
Mercado aquecido
Em cidades como Ribeirão Preto, o cenário é de forte atividade, com obras espalhadas por diferentes regiões e um mercado imobiliário aquecido. Programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida também têm papel relevante, ampliando o acesso ao financiamento e atendendo grande parte do mercado. A expectativa é de um ano produtivo, ainda que com crescimento moderado diante dos desafios estruturais do setor.
Para quem pretende construir, a recomendação é de cautela, especialmente para quem não tem experiência no setor. O alto custo dos materiais e a escassez de mão de obra qualificada aumentam os riscos de problemas durante a obra.
A orientação é priorizar a compra de imóveis prontos ou financiados, deixando a construção para profissionais com maior conhecimento técnico.



