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‘Contracultura’, a arte em busca de quebrar tabus e contrariar padrões dominantes

No 'Sala de Música' Ozório Christovan fala sobre esses movimentos, que contaram com a presença de bandas como 'The Beatles'
Contracultura
No 'Sala de Música' Ozório Christovan fala sobre esses movimentos, que contaram com a presença de bandas como 'The Beatles'

No ‘Sala de Música’ Ozório Christovan fala sobre esses movimentos, que contaram com a presença de bandas como ‘The Beatles’

Uma conversa sobre música pode revelar muito mais do que memórias afetivas: conta a história de fluxos culturais que atravessaram o mundo entre as décadas de 1960 e 1970 e redesenharam comportamentos, estética e mercado. No centro dessa transformação estão bandas que se tornaram símbolos de uma juventude em busca de novas linguagens sonoras e de uma postura crítica diante do status quo.

A onda britânica e a contracultura

O fenômeno conhecido como “invasão inglesa” trouxe ao início da década de 1960 uma série de grupos que renovaram o rock e influenciaram gerações — entre eles The Beatles, Rolling Stones, The Kinks, The Animals, The Who, Pink Floyd, Cream, Jimi Hendrix e Led Zeppelin. Essa sequência de nomes acompanhou mudanças econômicas e culturais no Reino Unido e encontrou eco nos Estados Unidos, onde movimentos pacifistas, de direitos civis, libertação sexual e outras formas de contestação social se articulavam em torno de uma contracultura que desafiava normas vigentes.

O ápice simbólico desse período foi o festival de Woodstock, em atrássto de 1969, consolidando uma cena global em que a música atuava tanto como produto quanto como manifestação de valores contraculturais. A estética descabelada e a recusa a rituais sociais formais — como o uso de terno e gravata — passaram a ser marcas visíveis dessa mudança.

Como o rock chegou ao Brasil

No Brasil, a chegada dessas influências encontrou dois caminhos distintos. De um lado surgiu a Jovem Guarda, nos anos 1960, com artistas como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa, Eduardo Araújo e grupos como The Fevers: um rock com apelo comercial, performático e visualmente cuidadoso, voltado a um público de massa. Com o tempo, alguns desses artistas migraram para outros gêneros — Roberto Carlos para a música romântica, Sergio Reis para a música sertaneja — e o movimento perdeu força no fim da década.

Paralelamente, outras vertentes criativas se desenvolveram, menos interessadas em mercado imediato e mais em experimentação musical e poética. Secos & Molhados, por exemplo, rompeu com convenções estéticas e sonoras, enquanto a repressão política da ditadura — intensificada a partir do AI-5 em 1968 — adicionou tensão ao cenário cultural, fazendo da música também um espaço de resistência e negociação.

Minas Gerais e o Clube da Esquina

Em Minas Gerais, a partir de meados da década de 1960, formou-se um pólo musical de grande impacto. Milton Nascimento, ao chegar a Belo Horizonte em 1963 e se aproximar dos irmãos Márcio e Lô Borges, integrou uma geração que combinou influências do jazz, do rock, da música regional e da canção brasileira. O primeiro álbum solo de Milton data de 1967; em 1970 ele lançaria um disco autônomo importante e, em 1972, saiu o álbum que consolidou o movimento do Clube da Esquina, com participações de Wagner Tiso, Toninho Horta, Beto Guedes, Lô Borges e outros.

O resultado foi um conjunto de obras que dialogavam com o rock progressivo, com o jazz e com as tradições populares brasileiras, criando uma linguagem original que influenciaria muitas bandas e artistas nas décadas seguintes.

O panorama dos anos 60 e 70 demonstra como a música pode ser simultaneamente produto de mercado, expressão estética e instrumento de crítica social. Em cada país, essas dimensões assumiram contornos próprios, mas a circulação de ideias e sons entre Inglaterra, Estados Unidos e Brasil deixou marcas duradouras na cultura musical contemporânea.

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