Ouça a coluna ‘CBN Cinema’, com Marcos e André de Castro
O filme “Porta dos Fundos: Contrato Vitalício” chegou aos cinemas e tem gerado diversas opiniões. A produção brasileira, conhecida por seus esquetes rápidos e humor ácido, atrásra enfrenta o desafio de se apresentar em um formato de longa-metragem. Será que a transição foi bem-sucedida?
A Essência do Porta dos Fundos no Cinema
Um dos pontos positivos destacados é a manutenção do estilo característico do Porta dos Fundos. Ao invés de adotar uma linguagem cinematográfica tradicional com grandes panorâmicas, o filme preserva o enquadramento e a dinâmica dos vídeos do YouTube. A presença de diversos personagens e esquetes que se sucedem rapidamente também contribui para essa sensação de familiaridade. O roteiro, assinado por Poppor Chá, entrega um humor crítico e inteligente, onde o próprio Poppor Chá serve como uma ponte entre as diferentes situações e personagens.
Críticas e Exageros
No entanto, nem tudo são flores. Uma das críticas recorrentes é o excesso de palavrões e o apelo ao besteirol, elementos que, segundo alguns espectadores, descaracterizam o humor ácido e original do Porta dos Fundos, aproximando-o de outras comédias nacionais e internacionais. Além disso, algumas cenas são consideradas desnecessárias e alongadas, o que pode comprometer o ritmo do filme e o interesse do público.
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Apesar das críticas, a história central do filme se destaca por sua crítica aos produtores de conteúdo e à indústria cinematográfica. A trama acompanha um diretor que, após ganhar a Palma de Ouro em Cannes, desaparece por 10 anos e retorna com um projeto que causa receio em seu produtor, Rodrigo (Poppor Chá). A narrativa satiriza a busca por conteúdo “cult” e “alternativo”, muitas vezes apenas uma recriação de ideias já existentes. Nesse aspecto, o filme se mostra perspicaz e relevante.
Em resumo, “Porta dos Fundos: Contrato Vitalício” apresenta tanto acertos quanto falhas. A manutenção do estilo característico do grupo e a crítica à indústria cultural são pontos positivos, enquanto o excesso de palavrões e algumas cenas desnecessárias podem comprometer a experiência. Resta ao público decidir se a transição para o cinema foi bem-sucedida.



