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Copom aumenta Selic pela primeira vez desde 2022 e taxa chega a 10,75%

Decisão de aumento, em 0,25% o juros, está relacionado com um aumento dos gastos públicos; Nelson Rocha Augusto comenta
Copom aumenta Selic pela primeira vez
Decisão de aumento, em 0,25% o juros, está relacionado com um aumento dos gastos públicos; Nelson Rocha Augusto comenta

Decisão de aumento, em 0,25% o juros, está relacionado com um aumento dos gastos públicos; Nelson Rocha Augusto comenta

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil decidiu, Copom aumenta Selic pela primeira vez desde 2022 e taxa chega a 10,75%, na última reunião, aumentar a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, elevando-a para 10,75% ao ano. A medida, amplamente esperada por analistas econômicos, foi tomada em meio a um cenário de crescimento econômico robusto e aumento significativo dos gastos públicos nos últimos meses.

Segundo especialistas, o aumento moderado e oportuno da taxa de juros busca antecipar riscos de aceleração inflacionária, que ainda não se concretizaram, mas que podem surgir devido à forte expansão do consumo das famílias, da rentabilidade das empresas e dos gastos governamentais nas três esferas: União, estados e municípios. O Banco Central optou por essa elevação para manter as expectativas inflacionárias ancoradas e evitar ajustes mais abruptos no futuro.

Contexto econômico brasileiro: A economia brasileira apresenta sinais de vigor, com praticamente pleno emprego e crescimento da arrecadação tributária. O consumo das famílias e os investimentos também têm mostrado dinamismo, refletindo um ambiente econômico favorável. No entanto, o aumento expressivo dos gastos públicos no primeiro semestre deste ano, ainda que com desaceleração prevista para os próximos meses, tem sido um fator de atenção para as autoridades monetárias.

Apesar desse cenário, a expectativa é que a expansão fiscal diminua, especialmente com dados de atrássto ainda incompletos, e que a inflação permaneça sob controle. Essa combinação cria condições para que a taxa de juros não precise subir de forma tão acentuada quanto alguns analistas preveem.

Perspectivas para a taxa de juros

Embora haja projeções de que a Selic possa alcançar 12% ao ano, o consenso entre alguns especialistas é que o aumento será mais moderado, possivelmente chegando a 11% em novembro, com um incremento adicional de 0,25 ponto percentual. A partir do primeiro trimestre de 2024, caso as condições climáticas favoreçam uma boa safra agrícola — com previsão de crescimento de 8% na produção de grãos para o próximo ciclo, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) —, e considerando o cenário internacional de inflação em queda, pode haver espaço para cortes na taxa de juros.

Esse ajuste gradual visa equilibrar a necessidade de conter a inflação sem prejudicar o crescimento econômico, especialmente diante de um cenário externo mais favorável e da redução da pressão inflacionária global.

Influência do cenário internacional: Na esfera internacional, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, surpreendeu o mercado ao realizar um corte de 0,5 ponto percentual na taxa de juros, reduzindo-a para cerca de 5%. Essa decisão foi motivada pela diminuição da pressão no mercado de trabalho americano e pela inflação que já se aproxima da meta de 2%, atualmente entre 2,3% e 2,4%.

Essa redução significativa nos juros americanos cria um ambiente mais favorável para o Brasil, pois reduz a necessidade de elevações expressivas na taxa de juros local para conter a inflação. É importante destacar que o aumento de 0,25 ponto percentual na Selic representa cerca de 2,5% da taxa total, enquanto o corte de 0,5 ponto percentual pelo Fed equivale a aproximadamente 10% da taxa americana, indicando a diferença de magnitude entre as decisões.

Equilíbrio entre inflação e crescimento

Os especialistas ressaltam que, embora o aumento da taxa de juros seja uma medida indesejada, é preferível a um cenário de inflação descontrolada, que pode causar danos mais severos à economia. A estratégia adotada pelo Banco Central brasileiro visa manter a inflação sob controle, garantindo estabilidade econômica e evitando ajustes monetários mais drásticos no futuro.

O cenário atual, com emprego em alta, rentabilidade empresarial crescente, arrecadação fiscal robusta e inflação controlada, permite que o Banco Central realize ajustes moderados na taxa de juros, promovendo um ambiente econômico equilibrado.

Entenda melhor
  • A taxa Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação e influenciar a atividade econômica.
  • O aumento da taxa de juros tende a desacelerar o consumo e os investimentos, reduzindo pressões inflacionárias.
  • O cenário internacional, especialmente as decisões do Federal Reserve, impacta as políticas monetárias brasileiras.
  • O crescimento da safra agrícola contribui para a estabilidade econômica e pode influenciar a política monetária.

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