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Copom decide que a queda na Taxa Selic será mais desacelerada

Expectativa é que o índice caia 0,5% apenas na próxima reunião; economista Pedro Henrique Nascimento analisa o assunto
Copom decide que a queda
Expectativa é que o índice caia 0,5% apenas na próxima reunião; economista Pedro Henrique Nascimento analisa o assunto

Expectativa é que o índice caia 0,5% apenas na próxima reunião; economista Pedro Henrique Nascimento analisa o assunto

O Banco Central sinalizou uma mudança no ritmo de corte da taxa básica de juros. Segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic, que hoje está em 10,75% ao ano, deve sofrer mais uma redução de 0,5 ponto percentual na próxima reunião, em maio, e depois seguir com desaceleração no ritmo de corte.

O anúncio do Copom e o cenário para a Selic

A ata do Copom indica que os formuladores de política monetária consideram reduzir a Selic de forma mais lenta daqui em diante. A justificativa é o equilíbrio entre incentivar a atividade econômica e evitar pressões inflacionárias: juros mais baixos estimulam consumo e investimento, mas, se reduzidos demais e rápido demais, podem reacender a inflação. O boletim Focus desta semana projeta taxa média de 9% para o fim do ano e cerca de 8,5% para 2025, enquanto a taxa natural de juros — a que manteria a inflação na meta — é estimada entre 9% e 10%.

Como a Selic impacta o bolso do cidadão

Para explicar na prática o que muda com esses movimentos, conversamos com o economista e professor Pedro Henrique Nascimento. Segundo ele, ‘a Selic é a taxa de referência do governo que baliza todas as outras taxas do mercado’. Quando a Selic cai, há expectativa de redução de juros do crediário, empréstimos e financiamentos, o que beneficia o consumo e facilita o investimento empresarial porque o crédito fica mais barato.

O professor alerta, porém, que o efeito não é imediato: ‘demora de seis a nove meses para a redução de juros ser sentida na ponta’. Além disso, os bancos costumam repassar cortes de forma gradual, em pequenos passos de 0,5% ou 0,25%, o que dilui o impacto no curto prazo. A expectativa é que, mais para o segundo semestre, o consumidor já perceba uma diferença nos custos de crédito.

Vencedores, perdedores e a lógica do investimento

Redução da Selic altera incentivos: ‘quem tem dinheiro aplicado em renda fixa sente perda, porque títulos públicos passam a render menos’, explica Pedro Henrique. Por outro lado, menos atratividade na renda fixa estimula investimentos produtivos — abrir negócios, modernizar maquinário — o que tende a gerar emprego e aquecer a economia. É esse trade-off que os formuladores do Banco Central tentam calibrar ao definir a trajetória da taxa.

Ao ser questionado por um ouvinte de Ribeirão Preto sobre existir um ‘valor ideal’ para a Selic, o professor lembrou episódios de taxas muito altas no passado (até 45% na década de 1990) e reiterou a busca atual por uma Selic compatível com a meta de inflação — hoje em 3%, com faixa de tolerância —, o que coloca o patamar desejado na casa dos 9%.

O Copom volta a se reunir em maio e o mercado seguirá atento às comunicações do Banco Central para calibrar expectativas de inflação, atividade e custo do crédito.

O economista Pedro Henrique Nascimento encerrou a participação ressaltando que a sinalização de ritmo menor de cortes é uma tentativa de equilibrar a retomada do consumo com a estabilidade de preços, e agradeceu pela oportunidade de explicar o tema ao público.

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