Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Sandra Lambert
O acionamento indevido dos serviços de emergência, como o Corpo de Bombeiros (193) e o SAMU (192), através de ligações com informações falsas, representa um grave problema para a sociedade. Além de gerar custos desnecessários, essas ocorrências fraudulentas prejudicam o trabalho das equipes e atrasam o atendimento a situações reais que exigem socorro imediato.
O Perfil dos Autores dos Trotes
De acordo com o Tenente Glauco Castilho-Rossi, do nono grupamento dos bombeiros, a maioria dos trotes é realizada por crianças e adolescentes, principalmente nos horários de entrada e saída das escolas. Apesar disso, ele ressalta que a identificação desses trotes é geralmente rápida, permitindo que a equipe oriente os jovens sobre as consequências de seus atos. As falsas ocorrências mais comuns relatadas aos bombeiros envolvem incêndios.
O Impacto dos Trotes Elaborados
Mesmo com o treinamento especializado dos atendentes, alguns trotes são mais complexos e difíceis de identificar como falsos. Nesses casos, os autores fornecem informações detalhadas sobre supostas vítimas e a gravidade da situação, o que pode levar ao deslocamento desnecessário de equipes e recursos. Essa mobilização indevida não apenas desgasta equipamentos e pessoal, mas também prejudica a população que pode precisar de atendimento urgente em outras ocorrências.
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A Classificação de Risco e os Chamados Inadequados ao SAMU
Marcelo Dinardi, coordenador do SAMU regional, explica que o serviço prioriza o atendimento com base em uma classificação de risco, garantindo que nenhuma solicitação seja ignorada. No entanto, ele destaca que, além dos trotes, o SAMU também recebe muitos chamados de baixa gravidade ou inadequados. Pessoas que supervalorizam seus sintomas ou buscam comodidade acabam acionando o serviço para situações que poderiam ser resolvidas de outra forma, prejudicando a dinâmica do atendimento a emergências reais. Além disso, em alguns casos, a equipe chega ao local e a pessoa já não está mais presente, o que pode ser interpretado como um trote, embora nem sempre seja intencional.
É importante lembrar que o autor de um trote está sujeito a penalidades legais. No estado, a legislação prevê multa de R$ 1.239,35 para quem acionar indevidamente os serviços de emergência.



