Apesar da expectativa de uma safra cheia em 2026 e de indicadores positivos no agronegócio, o crédito rural segue como um dos principais entraves para o produtor brasileiro. Segundo o analista José Carlos de Lima Júnior, o setor vive a maior crise de crédito desde o Plano Real, com retração significativa na liberação de recursos.
Até meados de janeiro, o volume de crédito rural liberado apresentou queda de cerca de 12%. O cenário é influenciado tanto pelo aumento da inadimplência quanto pela cautela dos produtores, que têm evitado novas operações diante das exigências mais rígidas e das garantias solicitadas pelas instituições financeiras.
Plano Safra na teoria
Embora o governo federal tenha anunciado valores recordes para o Plano Safra, a execução prática não acompanha o discurso. José Carlos explica que há uma diferença clara entre os números anunciados e o dinheiro que, de fato, chega ao produtor.
Com margens apertadas, preços pressionados pela grande oferta e risco financeiro elevado, o produtor encontra dificuldades para acessar crédito. Segundo o analista, mesmo com planos considerados robustos no papel, a liberação efetiva dos recursos segue em queda e impacta diversas cadeias produtivas do agronegócio.
Impacto da inadimplência
Dados do Banco Central, divulgados pelo Globo Rural, mostram que a inadimplência do crédito rural fechou o último ano em 6,5%, acima dos 2,3% registrados anteriormente. Para José Carlos, esse índice médio ainda não reflete totalmente a gravidade do cenário no campo.
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O aumento da inadimplência eleva o risco para as instituições financeiras, que passam a cobrar juros mais altos. Com custos maiores e preços de venda pressionados em culturas como soja, milho e cana-de-açúcar, o produtor enfrenta um cenário ainda mais desafiador para investir e ampliar a produção.
Reflexos no consumidor
O analista destaca que os efeitos do aperto no crédito não atingem apenas o produtor rural. A redução nos investimentos pode impactar a oferta futura de alimentos, pressionando preços ao consumidor nos próximos meses.
Segundo José Carlos, o agronegócio funciona em ciclos, e as dificuldades enfrentadas atrásra tendem a refletir mais à frente, tanto na inflação quanto no custo de produtos essenciais. A expectativa é de melhora no cenário a partir do segundo semestre, com possível redução das taxas de juros, mas o primeiro semestre ainda deve ser de cautela para o setor.